Obras do “Viana S+T+ARTS Centre”, no antigo matadouro de Viana do Castelo, geram críticas da oposição por custos adicionais

O projeto “Viana S+T+ARTS Centre” voltou a estar em discussão na última reunião da Câmara Municipal de Viana do Castelo, após a apresentação de trabalhos complementares no âmbito da empreitada de reconversão do antigo matadouro municipal. Os trabalhos, no valor de 7.820 euros, correspondem a 2,2% do valor da obra, que representa um investimento de cerca de 3,1 milhões de euros e cujo término está previsto para o final de novembro.

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15 Out. 2026 3 mins
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Fotografia: Olhar Viana do Castelo

A empreitada, iniciada em meados de 2025, pretende transformar um edifício devoluto há mais de três décadas num centro dedicado à ciência, à tecnologia e à arte. O futuro equipamento acolherá espaços de cocriação, residências artísticas, demonstrações científicas, uma incubadora de eco-startups e projetos ligados a tecnologias emergentes, como a inteligência artificial e a realidade virtual.

O projeto prevê, ainda, a aplicação de soluções inovadoras de eficiência energética, baixo teor de carbono e economia circular, assumindo-se como um laboratório criativo e comunitário.

Em 2023, o “Viana S+T+ARTS Centre” foi distinguido pela Iniciativa Urbana Europeia, no âmbito da Nova Bauhaus Europeia, tendo garantido um financiamento de cinco milhões de euros através dos fundos de coesão da União Europeia (UE).

Recorde-se que, em julho, aquando da aprovação do prolongamento do prazo da empreitada, o presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Luís Nobre, justificou o atraso com a complexidade da intervenção, nomeadamente as dificuldades na contratação da componente de hidrogénio verde.

Desta vez, os trabalhos complementares, no valor de 7.820 euros, destinam-se à “regeneração de equipamentos do edifício”, explicou o autarca, que voltou a salientar a complexidade da intervenção e revelou que “foi uma surpresa alguns elementos estruturais”.

A proposta foi, contudo, contestada pela oposição. Paulo de Morais, da bancada do PSD, votou contra a aprovação do valor. Para o vereador, “os trabalhos complementares em obras públicas são um problema da democracia”, defendendo que “as obras públicas devem cumprir o prazo e o valor regido”. O social-democrata alertou, ainda, para os riscos associados à autorização deste tipo de trabalhos, nomeadamente ao nível da transparência e do aumento dos custos das empreitadas.

Também José Belo, vereador substituto do Chega, manifestou oposição à proposta, considerando que os trabalhos complementares resultam da “falta de cuidado por parte da empreitada” e contribuem para o “aumento de custos”.

Em resposta, Luís Nobre reiterou a necessidade de recuperar o antigo matadouro e recordou que o projeto resulta de uma iniciativa europeia. O autarca explicou que a candidatura exigiu o estabelecimento de uma parceria com outras três cidades, condição necessária para aceder ao financiamento.

O presidente da Câmara sublinhou, ainda, a importância de “dinamizar o equipamento após a conclusão das obras”, defendendo que o projeto poderá contribuir para “dar notoriedade a Viana do Castelo e impulsionar a cidade”.

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