O Pe. José Frazão Correia é um sacerdote jesuíta português, teólogo e escritor. Nasceu em 1970, em Alqueidão da Serra, Porto de Mós, e entrou na Companhia de Jesus em 1995, na qual foi ordenado padre em 2004. É licenciado em Filosofia, doutorado em Teologia Fundamental pela Universidade Gregoriana, em Roma, e foi professor na Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa. Entre 2014 e 2020 desempenhou o cargo de provincial dos Jesuítas em Portugal. Atualmente, é diretor da revista Brotéria e pároco da Paróquia da Encarnação, em Lisboa. É também autor de vários livros dedicados à espiritualidade e à reflexão sobre a fé.
PJF: Ser cristão começa por colocar seriamente essa pergunta.
É necessário ultrapassar uma identidade construída apenas por sinais exteriores ou por afirmações formais e regressar ao essencial: o que traduz hoje a força do Evangelho?
Uma escola católica, por exemplo, não é cristã apenas porque tem um crucifixo à entrada ou porque se apresenta como tal. Precisa encontrar formas concretas de realizar essa identidade.
PJF: Prefiro dizer que existem cristãos em diferentes etapas do caminho.
Jesus utiliza a parábola do trigo e do joio para mostrar que ambos cresceram juntos até ao momento da colheita. O nosso papel não é julgar imediatamente quem é trigo e quem é joio, porque podemos correr o risco de arrancar o trigo juntamente com o joio.
Mais importante do que classificar as pessoas é perguntar qual é a autenticidade da sua adesão ao Evangelho. Cada cristão deve reconhecer o caminho que já percorreu e aquele que ainda lhe falta percorrer.
PJF: Essa é uma das grandes questões que a Igreja deve enfrentar.
Quando a fé deixa de ter significado existencial para as pessoas, devemos interrogar-nos. É demasiado fácil dizer que os jovens não querem saber ou que lhes falta vontade.
Talvez a verdadeira pergunta seja outra: estamos nós a conseguir traduzir o Evangelho numa linguagem significativa para as pessoas de hoje?
O próprio Papa Francisco alerta para o perigo de repetirmos continuamente as mesmas fórmulas, julgando que isso basta para comunicar.
Talvez seja necessário voltar atrás e perguntar: qual é o núcleo essencial do Evangelho que vale realmente a pena transmitir?
PJF: Acho que a missão principal de uma escola católica é formar bons cidadãos.
Não apenas alunos com boas notas, mas pessoas capazes de pensar criticamente, de cultivar a cultura, a leitura, as artes, a ciência, a responsabilidade e a liberdade.
Se isso conduzir também à fé, tanto melhor. Mas não considero que esse deva ser o primeiro objetivo.
Uma escola que forme pessoas humanamente consistentes, livres e responsáveis já estará a cumprir o essencial da sua missão.
Pe. José Frazão (PJF): A expressão vem da Evangelii Gaudium, um dos textos programáticos do Papa Francisco. Ele afirma que uma Igreja consciente do seu tempo — e o nosso é um tempo de mudanças muito profundas — precisa de redescobrir aquilo que é mais essencial no Evangelho.
Os Evangelhos contêm muitas verdades, muitos matizes e muitos acentos, mas nem todos têm a mesma relevância. Todos pertencem ao patrimó
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