Filhos… Saber onde estão também é cuidar!

Mónia Grácio
22 Set. 2026 3 mins
Mónica Grácio

Lembram-se de quando a única regra na infância era “Volta para casa quando os candeeiros da rua se acenderem”?
Para a geração que hoje tem entre 40 e 50 anos, essa era uma regra comum. Crescemos com uma liberdade analógica que hoje nos parece quase idílica. Brincávamos na rua, andávamos de bicicleta e os nossos pais só voltavam a saber de nós quando aparecíamos à porta de casa.
Não havia telemóveis, aplicações ou localização em tempo real. E sobrevivemos.
Mas será que isso significa que devemos educar os nossos filhos exatamente da mesma forma?
Na minha opinião, não.

Preocupação não é paranoia. Proteção não é controlo. E responsabilidade não é falta de confiança.
O mundo mudou. Os nossos filhos têm hoje maior mobilidade, deslocam-se mais e vivem numa realidade diferente daquela em que crescemos. Os riscos sempre existiram, mas hoje temos ferramentas que os nossos pais não tinham.
É aqui que entra a geolocalização.

Acredito que proteger não é proibir. É dar asas, criando uma rede de segurança.
Sou mãe de três meninos e acredito que educar é encontrar o equilíbrio entre liberdade e responsabilidade. Quero que os meus filhos cresçam autónomos, que saiam, convivam, explorem e aprendam a tomar decisões. Mas quero também ter a tranquilidade de saber que, se surgir uma situação inesperada, posso com alguma facilidade localizá-los e ajudá-los.
E há uma vantagem que considero importante; a geolocalização pode significar mais liberdade para os filhos e menos ansiedade para os pais.

Sei que há pais que pensam de forma diferente e respeito isso. Sei também que alguns receiam a reação dos filhos, por entenderem que esta ferramenta pode ser vista como uma invasão de privacidade ou falta de confiança.
É uma preocupação legítima. Tudo depende da forma como utilizamos a tecnologia.
Uma aplicação pode servir para controlar cada movimento ou ser simplesmente uma rede de segurança, com regras claras e respeito pela privacidade.
A tecnologia não educa por nós, nem substitui a confiança. Mas pode complementar o diálogo, a responsabilidade e os cuidados que fazem parte da parentalidade.

Talvez um dia quando os nossos filhos forem adultos compreendam algumas das nossas preocupações e percebam que, por detrás de muitas das nossas decisões, esteve sempre AMOR.
Dificilmente alguém se preocupará tanto com eles e os amará tanto como os seus pais. Naturalmente existem exceções em que infelizmente assim não é.

Os pais não querem saber onde estão para lhes cortar as asas. Querem saber onde estão para poder estar lá se eles precisarem de nós.

Porque saber onde estão não é querer controlar os seus passos. É ter a tranquilidade de saber que, se um dia precisarem de nós, conseguimos chegar até eles. Afinal, o amor de uma mãe não conhece distâncias, só precisa de saber o caminho.

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