Papa Leão XIV apela aos sacerdotes portugueses para que não rejeitem a “sabedoria divina para o caminho conjunto”

O Papa Leão XIV pediu aos sacerdotes portugueses que, nos seus encontros e diálogos, evitem tanto “entusiasmos ingénuos” como “medos estéreis”, apelando à “sabedoria divina para o caminho conjunto”, ao “entusiasmo para os passos vacilantes” e ao “dom da unidade para todos”.

Notícias de Viana
3 Set. 2026 3 mins

A mensagem do pontífice foi lida, em Fátima, pelo núncio apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa Coso, durante a sessão de abertura do XI Simpósio do Clero de Portugal, que decorre no Centro Paulo VI, sob o tema “Irmãos no sacerdócio e testemunhas do Evangelho”.

Na intervenção dirigida aos participantes, Leão XIV deixou um apelo à unidade e ao caminho conjunto do clero português, colocando a reflexão e o diálogo entre sacerdotes no centro do encontro.

A mensagem papal antecedeu a intervenção de D. Andrés Carrascosa Coso, que alertou para os riscos do individualismo e do clericalismo na vida sacerdotal. O representante do Papa defendeu que um “sacerdócio sadio” exige acompanhamento espiritual, comunhão e capacidade de trabalhar em conjunto. “A única maneira de viver um sacerdócio sadio é a de não caminhar sozinhos”, afirmou.

O núncio sublinhou a importância do acompanhamento espiritual, advertindo que “ninguém que não é acompanhado, sabe acompanhar” e que aqueles que deixam de receber orientação podem perder a capacidade de reconhecer “aquilo que acontece no seu interior”.

Na sua intervenção, chamou, também, a atenção para o clericalismo, que classificou como uma realidade que “faz sofrer” e constitui uma “ferida na comunhão”. Para D. Andrés Carrascosa Coso, a Igreja precisa de ministros capazes de colocar a caridade no centro da sua ação.

“A Igreja precisa de ministros que levem a sério, com radicalidade, o coração do Evangelho, a síntese da Lei, colocando na base de todas as atividades, antes de todas as ocupações pastorais, a caridade”, defendeu o representante papal.

O responsável advertiu, ainda, para o risco de uma vida pastoral marcada pelas aparências, lembrando que “celebrações, belíssimas” ou “programas pastorais muito bem preparados” podem acabar por “ser expressão sublime de uma realidade que não existe”.

A partilha e a comunhão entre sacerdotes foram outros dos temas abordados, com o núncio a defender a partilha de “experiências de vida cristã”, a “ajuda mútua” e até a “comunhão de bens, incluindo os bens materiais”. D. Andrés Carrascosa Coso deixou um alerta para os efeitos de uma “vida individualista e até burguesa” no interior do clero.

A edição deste ano apresenta um formato diferente do habitual, não estando centrada numa sucessão de conferências. Os trabalhos partem também dos resultados de um inquérito anónimo realizado entre os participantes sobre os “Desafios da Vida Sacerdotal em Portugal”.

A 11.ª edição do Simpósio do Clero de Portugal decorre até 3 de setembro, no Centro Paulo VI, em Fátima.

c/ Agência ECCLESIA

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