O número de infrações rodoviárias registadas no distrito de Viana do Castelo está a acompanhar a tendência de descida verificada a nível nacional. De acordo com os dados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), em 2025 foram contabilizadas 9.116 infrações no distrito, enquanto, nos primeiros oito meses de 2026, o número fixou-se já nas 8.060.
Os dados traduzem uma redução de 11,6% face ao total registado no ano passado. A descida, contudo, não se reflete de forma linear quando se considera a dimensão da população: a taxa de infração, calculada por cada mil habitantes, registou uma ligeira subida de 0,6% entre 2025 e 2026. Assim, apesar de o número absoluto de infrações estar a diminuir, a incidência das mesmas em função da população apresenta uma evolução ligeiramente diferente, mantendo-se praticamente estável no distrito.
Ainda assim, há três tipologias de infração que continuam a resistir à tendência geral de descida e a registar subidas sucessivas, ano após ano, sem qualquer sinal de abrandamento: a condução sob o efeito do álcool, a condução sem seguro válido e a condução sem inspeção periódica obrigatória. Juntas, estas três categorias desenham um quadro que contraria a evolução positiva observada no conjunto das infrações rodoviárias na região.
No caso do álcool, foram identificadas no ano passado 358 infrações no Alto Minho, um número que ficou 67 infrações abaixo do registado este ano, traduzindo-se num crescimento de 18,7%. Já a taxa de infração disparou 35,1% no mesmo período, reforçando a ideia de que o problema não se explica apenas por um maior número de operações no terreno.
Quanto à condução sem inspeção periódica obrigatória, o Alto Minho já contabiliza, em 2026, 1.747 infrações, contra as 1.597 registadas em todo o ano de 2025, um aumento de 9,4%. Na taxa de infração, a subida foi ainda mais acentuada, fixando-se nos 24,5%, o que sugere que cada vez mais condutores continuam a circular com as inspeções em atraso.
Já na condução sem seguro válido, o crescimento situou-se nos 13,1%, traduzindo-se em mais 47 infrações em 2026 face ao total contabilizado em 2025. A taxa de infração aumentou 28,7% no mesmo período, um valor que reforça a leitura de que esta é, das três tipologias, uma das que mais preocupa as autoridades.
No total, estes dados resultam da fiscalização de um universo de 117.784 veículos inspecionados ou condutores controlados.
No que toca às detenções, o Alto Minho já registou quase 500 pessoas detidas, um aumento de 15,95% face a 2025. As principais motivações prendem-se com o consumo de álcool (+25,9%) e com a condução sem habilitação legal (+50%), duas realidades que, segundo as autoridades, continuam a estar na origem da maioria das ocorrências mais graves detetadas nas operações de fiscalização.
De acordo com a GNR, estes fenómenos são transversais a todo o território e não se limitam às zonas mais urbanas, estendendo-se, também, às localidades do interior e às áreas rurais da região. A GNR sublinha este agravamento recente como um sinal de alerta, apontando para a necessidade de reforçar a sensibilização dos condutores e de intensificar as ações de fiscalização nos próximos meses. “Verificou-se um aumento acentuado nas detenções, reforçando a necessidade urgente de sensibilização para este comportamento de risco”, lê-se no mesmo documento.
Os maiores volumes de infrações continuam concentrados nos distritos mais populosos, com Porto, Lisboa e Aveiro a liderar as estatísticas nacionais, seguindo a tendência habitual de concentração de ocorrências nos grandes centros urbanos e nas principais vias de tráfego do país.
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