A taxa de desemprego em Portugal tem vindo a diminuir ao longo dos últimos anos, refletindo uma evolução positiva do mercado de trabalho e, entre outros fatores, o impacto das políticas públicas e municipais destinadas a combater um problema que há décadas afeta o país. O Norte de Portugal destaca-se historicamente pelos seus elevados níveis de emprego e participação no mercado de trabalho. Os dados mais recentes da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), relativos ao primeiro trimestre de 2026, vêm reforçar esta realidade, evidenciando a importância da região no contexto nacional.
No Norte de Portugal, a taxa de desemprego situou-se nos 6,0% no primeiro trimestre de 2026, representando uma diminuição de 0,8 pontos percentuais face ao mesmo período de 2025, o que representa uma diminuição de 115 mil pessoas sem emprego, menos 1500 que em 2025. Esta evolução acompanha a redução do número de pessoas desempregadas na região, reforçando a tendência positiva do mercado de trabalho.
Por nível de escolaridade, a evolução foi, contudo, distinta entre os diferentes grupos. Entre os indivíduos com níveis de escolaridade mais baixos, a taxa de desemprego registou um ligeiro aumento, passando de 5,8% no quarto trimestre de 2025 para 5,9% no primeiro trimestre de 2026. Na população com o ensino secundário e pós-secundário, a taxa manteve-se inalterada nos 7,2% durante o mesmo período. Já entre os indivíduos com ensino superior, verificou-se uma evolução mais favorável, com a taxa de desemprego a diminuir para 5,0%.
Esta realidade demonstra que, apesar da tendência global de redução do desemprego no Norte, persistem diferenças significativas em função do nível de escolaridade, sendo a qualificação um fator particularmente relevante na integração e permanência no mercado de trabalho.
O Alto Minho é uma das regiões do país na qual esta mudança de paradigma se torna mais evidente. Entre janeiro, fevereiro e março de 2025, registaram-se 5935 pessoas desempregadas. No mesmo período de 2026, esse número diminuiu para 4941, representando uma redução de 994 pessoas, ou seja, aproximadamente menos mil desempregados. Esta evolução traduz uma diminuição de cerca de 16,7% no número de pessoas desempregadas na região.
Segundo os dados da CCDR-N, os municípios de Valença, Monção, Paredes de Coura e Ponte da Barca destacam-se no Alto Minho por apresentarem algumas das taxas de desemprego mais baixas da região, registando, em conjunto, uma redução de 18,1% face ao período homólogo. Esta evolução está associada, entre outros fatores, à dinâmica do tecido empresarial e industrial do território.
O Alto Minho apresenta uma forte presença de indústrias orientadas para a exportação, com destaque para a biotecnologia e a indústria automóvel, a par de um importante sector agroindustrial e de atividades ligadas à transição energética.
Mas há fatores que ajudam a explicar esta diminuição do desemprego. O doutor em Economia e professor aposentado do Instituto Politécnico de Viana do Castelo , José Escaleira, sustenta que “no caso presente do Alto Minho, o crescimento da produção com as empresas existentes ou com as novas, está ligado ao aumento da produção para exportação, mais do que do consumo interno, associadas a políticas municipais agressivas em termos de captação de investimento”.
“Os três dos concelhos em análise (Valença, Monção e Paredes de Coura) são contíguos, o que permite a criação de sinergias e cooperação que, bem aproveitada, criam economias de escala e de aglomeração. Por outro lado, esta zona tripartida e Ponte da Barca encostam ao concelho de Arcos de Valdevez, concelho de relevo no desenvolvimento industrial, potenciando uma zona fortemente produtiva no interior do Alto Minho”, salientou o antigo professor.
Para o economista, “a importância de polos industriais dinâmicos, com ação permanente de qualificação e de estratégias de atração; de posições privilegiadas junto à fronteira e de políticas municipais favoráveis à captação de investimento e à atração de novas empresas” são os principais fatores que explicam esta diminuição. José Escaleira acrescenta que “as políticas de isenções fiscais em termos de impostos municipais, de apoios financeiros e infraestruturais ao investimento e a diplomacia económica para atração de novas empresas” têm também contribuído para esta evolução.
Atualmente, os dados mostram que o principal desafio do Alto Minho já não está inserido no desemprego, mas na dificuldade em encontrar mão de obra para responder às necessidades das empresas. Perante esta realidade, José Escaleira defende a adoção de “políticas amigáveis de atração de emprego para as indústrias nascentes que, atraindo novos trabalhadores o mais estáveis possível, potencia o desenvolvimento de outros setores da Economia, rejuvenescendo o tecido empresarial geral, tendo em conta o envelhecimento das populações locais”.
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