Luís Montenegro compromete-se com acessibilidades estruturantes reivindicadas pelo Alto Minho

O Governo deu indicação para avançar com um conjunto de investimentos rodoviários reivindicados pela Comunidade Intermunicipal do Alto Minho (CIM Alto Minho), num pacote de intervenções que os dez municípios estimam em cerca de 300 milhões de euros.

Catarina Faria
1 Out. 2026 4 mins

A garantia foi deixada, em Arcos de Valdevez, pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, que afirmou que o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, “tem orientações para concretizar esses investimentos”. Para o chefe do Governo há necessidade de “fazer escolhas”, “seja na ligação à fronteira da Madalena, à variante de Ponte de Lima ou às variantes para Monção, Melgaço e Valença”.

Segundo Luís Montenegro a “necessidade” de reforçar estas acessibilidades submete-se com a “existência de desigualdades na distribuição do investimento pelo território”, acrescentando que este “é um investimento que nós queremos que chegue a todo o lado”. Para o primeiro-ministro, estas intervenções, a par de outras já em curso na região, poderão “contribuir para reforçar a competitividade do Alto Minho e criar condições para o seu desenvolvimento”.

A declaração surge depois de a CIM Alto Minho ter apresentado ao Governo, em setembro, um documento com as acessibilidades consideradas pelos dez municípios como “estruturantes e prioritárias de carácter urgente”. O presidente da CIM e autarca de Monção, António Barbosa, defendeu a necessidade de garantir financiamento para a concretização das obras e para o avanço dos respetivos estudos e projetos, num pacote global estimado em cerca de 300 milhões de euros.

Entre as prioridades identificadas está o Eixo do Vale do Minho, que prevê a construção da Variante de Valença/Monção/Melgaço até Salvaterra/Neves, na Galiza, incluindo uma nova ligação internacional à A52. Os municípios defendem, também, o prolongamento da A28 entre Vila Nova de Cerveira e o nó de Sapardos ou, em alternativa, até à futura variante em Valença, solução que dependerá dos estudos técnicos.

No Eixo do Vale do Lima, a CIM aponta como prioridade a ligação à fronteira da Madalena, através do IC28, acompanhada pela requalificação da EN203 e da EN304-1, entre Ponte da Barca e Lindoso. A Variante de Ponte de Lima integra igualmente o conjunto de obras reivindicadas pelos municípios.

A lista inclui, ainda, a requalificação e correção do traçado da EN101, entre Arcos de Valdevez e Monção, assim como melhorias nas ligações de Paredes de Coura aos concelhos vizinhos, nomeadamente através das EN303, EN306 e EN301. O documento contempla também o lançamento de estudos para uma ligação ferroviária direta ao Porto de Mar de Viana do Castelo e para uma nova travessia do rio Minho entre Caminha e A Guarda, com implantação do lado português na zona de Seixas.

À época, António Barbosa, destacava que estas intervenções são “necessárias para acompanhar o desenvolvimento económico da região e reforçar a sua capacidade de atrair e fixar atividade económica e emprego”. O presidente da CIM tem defendido, neste âmbito, uma estratégia concertada entre os dez municípios, procurando substituir uma “lógica de investimentos isolados” por uma definição conjunta de prioridades para todo o território.

O compromisso, agora, assumido pelo primeiro-ministro surge depois de, em julho, o Governo ter previsto um investimento de 135 milhões de euros na requalificação e construção de infraestruturas rodoviárias no Alto Minho até 2028. O anúncio foi feito pelo secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, durante uma reunião na Assembleia da República. Entre as intervenções então apontadas estavam a ligação da A27/IC28 à fronteira da Madalena e a variante a Valença, com ligação a Monção e Melgaço.

Os 300 milhões de euros referidos no processo correspondem, contudo, ao valor estimado pela CIM Alto Minho para o conjunto das intervenções que considera prioritárias e não a um novo montante de investimento formalmente anunciado pelo Governo. Apesar da garantia dada por Luís Montenegro, continuam por esclarecer o montante que será efetivamente disponibilizado, o calendário de execução e quais das obras reivindicadas serão abrangidas pelo compromisso assumido em Arcos de Valdevez.

Tags Política

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