Papa Leão XIV sobre aborto e eutanásia: “É impossível considerar normal o ato de pôr fim a uma vida”

Em França, durante uma visita pastoral que marcou o regresso de um Papa ao território francês após mais de 15 anos, o Santo Padre Leão XIV voltou a manifestar-se contra a legalização do aborto e da chamada “morte medicamente assistida”. Na ocasião, o Pontífice apelou à defesa da vida humana em todas as suas fases, rejeitando aquilo que considera ser a “tentação de tirar a vida sob pretexto de uma falsa compaixão”.

Catarina Faria
30 Set. 2026 3 mins

Leão XIV sublinhou, ainda, a necessidade de promover uma cultura de cuidado e de acompanhamento, sobretudo perante situações de sofrimento, fragilidade e doença, defendendo que a resposta da sociedade deve passar pelo apoio à pessoa e não pela eliminação da sua vida. 

Recentemente, em julho deste ano, o parlamento francês aprovou, em votação definitiva, a proposta de lei que estabelece o direito à “ajuda a morrer”. O diploma foi aprovado a 15 de julho, com 291 votos a favor, 241 contra e 29 abstenções, tendo posteriormente sido validado pelo Conselho Constitucional e promulgado em agosto. A legislação prevê o acesso a este procedimento, sob determinadas condições, por adultos que sofram de uma doença grave e incurável, com prognóstico vital comprometido, e que enfrentem sofrimento refratário ou insuportável 

O Santo Padre defendeu, ainda, que “é impossível considerar normal o ato de pôr fim a uma vida”, sublinhando que a legalização de uma determinada prática não significa, necessariamente, que esta seja moralmente aceitável. Nesse sentido, acrescentou que “o que é legal não é necessariamente moral”, reafirmando a posição da Igreja Católica na defesa da vida humana e na rejeição da eutanásia e do “suicídio assistido”.

Numa sociedade em que, segundo o Pontífice, existe uma tendência para “desviar o olhar ou fechar os olhos perante a dignidade da vida humana”, Leão XIV defendeu a necessidade de cultivar um olhar atento e contemplativo sobre cada pessoa, sobretudo perante situações de maior fragilidade. “É urgente, antes de mais, cultivar, em nós e nos outros, um olhar contemplativo”, afirmou.

O Santo Padre reconheceu, contudo, que, para “aqueles que sofrem de patologias específicas e de dores, por vezes, terríveis, o horizonte pode parecer sombrio, incerto, sem saída”, admitiu. Ainda assim, Leão XIV sustentou que o sofrimento não deve retirar à pessoa o reconhecimento da sua dignidade, defendendo que “nenhuma lei deve fazer-nos perder a certeza da dignidade”.

Ambas as situações colocam desafios no quotidiano das comunidades médicas, em que questões éticas e profissionais podem entrar em tensão. Neste contexto, o Santo Padre dirigiu-se aos profissionais de saúde, apelando a que não percam de vista o “significado profundo da vocação”, que, segundo o Pontífice, passa por “cuidar de uma pessoa e não eliminá-la”.

Leão XIV alargou, ainda, esta reflexão a outras áreas da medicina, nomeadamente às decisões relacionadas com o início e o fim da vida. “Ninguém tem o direito, nunca, com base em algoritmos laboratoriais, de decidir sobre a vida de um determinado embrião ou de uma determinada pessoa idosa”, afirmou. Para o Papa, a prática médica deve manter como prioridade a proteção e o cuidado da vida humana, defendendo que “a medicina nunca poderá tornar-se a serva da morte programada”.

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