Combate às desigualdades educativas: Teach For Portugal quer alargar ação a mais municípios

A organização vai arrancar este ano letivo com um pequeno projeto-piloto em Viana do Castelo, no 1.º ciclo. A expansão aos restantes municípios do Alto Minho está nos planos, mas ainda sem data definida. No entanto, a Teach For Portugal já é conhecida entre os jovens do Agrupamento de Escolas de Monte da Ola, em Darque, há mais de cinco anos.

Notícias de Viana
23 Set. 2026 3 mins

O “percurso escolar de uma criança não deve ser condicionado pelo contexto em que nasce”. É a partir desta premissa que a Teach For Portugal desenvolve o seu trabalho, colocando profissionais nas escolas para atuar em conjunto com professores e alunos, contribuindo para a redução das desigualdades educativas.

Atualmente, a organização conta com 138 profissionais no terreno, distribuídos por 99 escolas e 55 municípios, chegando a cerca de 12 mil alunos, dentro e fora da sala de aula.

Os dados do Relatório de Impacto referente ao ano letivo de 2024/25 apontam para uma subida na média das notas das turmas acompanhadas pela Teach For Portugal, mais 24%, número superior à registada nas turmas sem esta colaboração.

Entre os alunos acompanhados, 88% afirmam que o mentor os “motiva a dar o seu melhor”. Já do lado dos professores, 98% consideram que as “competências pedagógicas do mentor foram uma mais-valia para os alunos” e 81% afirmam que “recomendariam a Teach For Portugal a um colega”.

Para Maria Azevedo, cofundadora da organização, o objetivo não passa apenas por intervir diretamente junto dos alunos, mas também por formar pessoas capazes de contribuir para a transformação do sistema educativo. A responsável sublinha que “o percurso escolar e o futuro de uma criança não pode ser limitado pelo contexto em que nasce”, defendendo que o contributo da Teach For Portugal “é desenvolver liderança”.

Ana Pereira conhece este trabalho a partir da experiência no terreno. Foi mentora e tutora da Teach For Portugal durante dois anos em Viana do Castelo, no Agrupamento de Escolas de Monte da Ola, um período que, diz, a levou também a refletir sobre o seu próprio percurso. “Foram dois anos em que eu me pus em perspetiva a mim enquanto aluna, a mim enquanto pessoa, e comecei a pensar sobre aquele contexto”, assume a atual coordenadora regional e tutora pedagógica da organização.

O trabalho desenvolvido passava, sobretudo, por mostrar aos alunos a importância da escola e acreditar nas suas capacidades. Para Ana Pereira, o mentor não ocupa o lugar do professor, os dois papéis complementam-se: “Um mentor não substitui um professor. No meu papel de mentora, nunca senti que estivesse a ocupar um espaço do professor. Pelo contrário, nós éramos um par que se complementava.”

Enquanto o professor está mais focado nos conhecimentos e conteúdos da disciplina, o mentor trabalha competências que os alunos podem desenvolver ao longo do percurso escolar, é o cerne da organização.

A antiga mentora considera ainda essencial olhar para cada aluno de forma individual. “Não olhamos para a turma preparando as nossas coisas para o aluno médio. O ‘médio’ não existe. Existe um conjunto de alunos que tem necessidades, interesses e vontades distintas”, afirma.

No Alto Minho, a Teach For Portugal pretende continuar a desenvolver a sua intervenção, mas sem avançar já para uma presença nos outros nove municípios. Para este ano letivo está previsto apenas um pequeno projeto-piloto em Viana do Castelo, no 1.º ciclo, com um profissional. A experiência deverá servir para recolher aprendizagens antes de qualquer expansão mais abrangente. 

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