Conheci o Monsenhor, então Manuel Vilar, irmão do Pe. Joaquim Vilar, já falecido e meu condiscípulo, de saudosa memória. Acompanhei o seu percurso de coadjutor de S. Vicente, porque então, ainda a estudar Teologia no Seminário Conciliar, S. Vicente ficava ali a dois passos e o então Pároco tinha sido superior do Seminário Menor, e Braga nos anos sessenta era uma aldeia crescida e tudo se sabia [...]
Deu bem conta do recado e, por isso, em breve veio para as portas da cidade de Viana, para sua alegria, porque os vianenses foram sempre muito apegados às suas origens e creio bem que se alegrou em demasia quando há 50 anos a Diocese foi criada.
Desde que me ordenei cruzei-me com o Monsenhor Vilar, quase dia sim, dia sim, por vários motivos, que não vem para aqui, mas o facto é que para mim, quando, feito o serviço da manhã de domingo, dia 13, me deparei com a notícia do seu falecimento, o almoço desceu com dificuldade.
Monsenhor era uma presença de sorriso alegre, são, puro, pobre, desinteressado, bom, humilde, prestável, com um amor à causa que abraçava e à Igreja, que dava nas vistas e contagiava. Não trago para aqui o seu percurso na Meadela, nem a nível de Diocese, por serem conhecidos em demasia.
Amava a sua paróquia, mas um dia, no final dum tríduo que me convidou a orientar com duas pregações por dia, para atingir mais pessoas, fiz com ele uma reflexão sobre a frequência que se notava, sobre a população da paróquia, então ainda sem os prédios novos, e ficamos os dois a pensar nos ausentes…
A culpa não era dele, mas assumia essa ausência de muitos e sabia-o um pastor preocupado pela ovelha que não estava no redil e consciente de serem muitas, apesar de todo o seu esforço e trabalho.
Quando recolheu ao hospital e foi operado ainda todos rezávamos para que voltasse ao ativo. Deus não permitiu, porque o bom servo merece o descanso e sobretudo partir, no seu posto de trabalho.
Morreu, para mim um sacerdote santo.
Nunca, mesmo nunca, quando dois ou três colegas se reuniam e surgia alguma crítica, Monsenhor nunca dizia uma palavra negativa de ninguém. Com um sorriso silencioso e discordante mandava mudar de assunto.
Este bem exemplo há muito que mora comigo.
Descansa em paz, amigo.
Foste bom e fiel servo!
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