Na Ribeira de Viana do Castelo, há memórias que parecem nascer antes das próprias pessoas. Crescem entre as ruas, os barcos e o cheiro a mar, passam de mães para filhas e sobrevivem ao tempo. Para Ana, Madalena e Sara, a devoção à Senhora d’Agonia é uma dessas heranças. As três nasceram e foram criadas na Ribeira, em famílias de pescadores, e aprenderam desde cedo que, quando o mar levava alguém, era à Senhora d'Agonia que se pedia proteção.
Para as “devotas”, popularmente conhecidas, a Senhora d’Agonia nunca foi apenas uma imagem ou uma tradição passageira. Foi “presença”. Foi “amparo”. Foi, sobretudo, uma “espécie de salvação perante o medo”, admite Ana Castro.
“Já na barriga das nossas mães, trazíamos a Senhora d’Agonia embutida em nós”, conta Ana. Para a devota, a relação com a santa não se explica como uma simples paixão ou tradição: “É mais que uma tradição, é uma herança”.
Na Ribeira, a fé nasceu muitas vezes do desespero. Os homens partiam para o mar e as mulheres ficavam à espera. Quando o tempo piorava e os barcos tardavam em regressar, a capela da Senhora d’Agonia era o lugar no qual se depositava a esperança. Ana Castro recorda o pai, pescador, que morreu no mar quando ela tinha apenas seis anos. “O mar dá e tira”, diz emocionada. Foi nesse momento que a fé ganhou outra dimensão: “Por isso entregamo-nos à Senhora d’Agonia; é como se fosse a nossa vida e a nossa esperança”.
Também Madalena guarda na memória as noites de espera. Lembra-se da mãe ajoelhada perante os santos, enquanto ela permanecia acordada, à espera de o pai regressar. Hoje, quando vê a Senhora passar, o sentimento revive: “Passa-nos tudo pela memória” admite. Leva consigo uma fotografia do pai e do sogro, como quem leva ao peito aqueles que o mar leva e traz.
Sara conhece igualmente esse medo. Recorda os barcos a tentar atravessar a barra em dias de mau tempo, os gritos na praia e a angústia de deixar de os ver nesses momentos, a Senhora d’Agonia estava sempre presente: “Nos bons e nos maus momentos, foi sempre ela”.
“Eu todos os dias prometo à Senhora não me esquecer dela, é a minha promessa mais importante. Assim como peço que ela não s
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