Mais cedo ou mais tarde, as pessoas regressam aos trabalhos, que vão enfrentar durante cerca de onze meses. É necessário começar com gosto, depois das atividades mais amenas que nos preencheram o tempo de férias. As fotografias, os brinquedos, as guloseimas, os passeios, as visitas, os itinerários pedestres, as viagens, os tempos de praia, são agora mais brandos e somente aos fins de semanas. O trabalho é sempre pessoal, cheio de enredos, mas outorga o que de mais fecundo temos na vida; fazemo-lo com brio, com sensatez, com afinco, pois fornece-nos o essencial, e apraz-nos realizá-lo com mestria.
Na banca de uma unidade fabril, seja ela qual for, nas tendas de tecidos e nas feiras semanais, no atendimento de qualquer farmácia, nos algoritmos de um computador ou nas plataformas movediças das páginas de um jornal, nos atendimentos ou nos gabinetes dos médicos, nas urgências ou nos pisos de um hospital, aos volantes da Cruz Vermelha ou da Emergência Médica, no serviço de um café ou restaurante, nos trabalhos de uma sacristia, na presidência das eucaristias dominicais ou semanais, ao volante de um táxi ou nos atendimentos de aeroportos, na vigilância dos mares e da Costa, nos espaços diocesanos de atendimento, nas Universidades, nas escolas variadas, nos balcões das mais diversas necessidades, tudo vai ser feito com amor e muita disponibilidade.
O tempo vai deslizando, seja conscientemente ou não, sem pedir licença a ninguém. Importa encará-lo com beneplácito, com respeito por tudo o que se tem de realizar, com dinamismo complacente para as tarefas mais espinhosas, com encanto e com otimismo prático. O resto vem por acréscimo e as tarefas vão sendo cumpridas sem negligência e com mansidão. Interessante é o espírito com que se realizam, sabendo-se colaboradores na Criação continuada. Por vezes, precisamos de mais horas e somos capazes de as viver com muita afabilidade. Sabemos que o mau humor não ajuda e que a ligeireza apenas denota falta de bondade e acarreta irresponsabilidades, que terão um preço num futuro próximo. Somos trabalhadores honestos.
Trabalhamos sempre com alguém, mesmo que fechados num gabinete. Presente ou distante está alguém para quem realizamos a obra que nos é pedida. É interessante estar consciente desta realidade, para que a atividade nos dê encanto e bonomia. Alguém espera ou pretende o nosso trabalho, ainda que não seja muito visível. Mais longe ou mais perto, está sempre quem espera pelo nosso trabalho bem feito, solicitando no silêncio que seja realizado com amor. Pouco importam as incompreensões que por vezes recebemos; seguimos em frente numa disponibilidade sempre amistosa.
Vivemos e trabalhamos em horizonte de Casa Comum, a da humanidade: “… Ninguém está isento de responsabilidade. Cada um dispõe de um próprio âmbito de ação, e é aí (…) que é chamado a escolher entre alimentar a lógica da força (…) ou zelar pela lógica da paz ( com a verdade, a sobriedade, a proximidade, o cuidado)” ( Leão XIV – Magnífica Humanidade, 212), sem interpretar o presente como um destino fechado, mas como um campo aberto, qual semente lançada à terra (Cf. ibidem, 210).
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