Com o final das férias e o regresso à rotina, é natural voltar a sentir-se mais cansado ou com maior dificuldade a regularizar o sono e, por conseguinte, a concentrar-se. E se eu tentar adivinhar, arrisco a dizer que faz parte do grupo de pessoas que recorre à ajuda da cafeína. De facto, esta é o estimulante mais consumido em todo o mundo e, 90% dos adultos consome pelo menos uma porção de cafeína ao longo do dia, seja através do café, chá, refrigerantes, bebidas energéticas ou até do chocolate. Mas será seguro consumir cafeína? Haverá uma “dose máxima”? O que está em risco? Este mês é Chamado ao Consultório para conhecer um pouco melhor esta substância e as consequências do seu consumo e prometo que, desta vez, não lhe vou dizer que não pode consumir.
Segundo os dados mais atuais, para a maioria dos adultos saudáveis, é seguro consumir até cerca de 400 miligramas de cafeína por dia, o que equivale, aproximadamente, a 4 cafés expresso, com exceção apenas das grávidas e mulheres a amamentar, para as quais este limite é reduzido para metade. Ora, para os amantes de café, isto são ótimas notícias, pois é muito fácil reconhecer os seus benefícios. De facto, pode ajudar a melhorar a atenção e o tempo de reação e até, em alguns casos, contribuir para a melhoria das enxaquecas.
Mas como em tudo o que concerne a consumos, é importante também alertar para alguns cuidados, sendo o primeiro, obviamente, o risco do consumo em excesso. É nestas situações que podem surgir alguns sintomas desagradáveis associados ao consumo de cafeína, como, por exemplo, dor de cabeça, ansiedade, tremores ou palpitações.
Outro aspeto a ter em consideração é o horário em que esta substância é consumida. Sabe-se que a cafeína pode ficar em circulação no organismo até cerca de 8 a 10 horas, pelo que um café bebido após o almoço pode ainda interferir com o seu sono à noite, nomeadamente no tempo para adormecer, na qualidade ou mesmo na duração total do sono. E se para algumas pessoas é claro que não se sentem bem ao tomar café à noite, todos conhecemos alguém para quem “tomar café à noite não me faz nada, durmo igual”. Na verdade, a ciência mostra que não é bem assim, podendo parecer que dorme bem, mas a longo prazo perceber que se sente mais cansado ou tem mais noites mal dormidas.
Um último alerta vai para as bebidas energéticas. Estas contêm, habitualmente, quantidades maiores de cafeína por dose, e o seu consumo excessivo pode estar associado a problemas cardíacos e neurológicos. A preocupação é particularmente relevante entre os jovens, que são os principais consumidores destas bebidas, muitas vezes à noite e combinadas com álcool — uma associação que deve ser evitada.
Por isso, se gosta de café, hoje trago boas notícias. Ao contrário do álcool, um consumo moderado pode ser um bom aliado.
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