Exclusivo Diocese

As devotas da Senhora d’Agonia: a fé que nasceu com o mar e atravessa gerações

Na Ribeira de Viana do Castelo, há memórias que parecem nascer antes das próprias pessoas. Crescem entre as ruas, os barcos e o cheiro a mar, passam de mães para filhas e sobrevivem ao tempo. Para Ana, Madalena e Sara, a devoção à Senhora d’Agonia é uma dessas heranças. As três nasceram e foram criadas na Ribeira, em famílias de pescadores, e aprenderam desde cedo que, quando o mar levava alguém, era à Senhora d'Agonia que se pedia proteção.

Notícias de Viana
4 Set. 2026 4 mins

Para as “devotas”, popularmente conhecidas, a Senhora d’Agonia nunca foi apenas uma imagem ou uma tradição passageira. Foi “presença”. Foi “amparo”. Foi, sobretudo, uma “espécie de salvação perante o medo”, admite Ana Castro.

“Já na barriga das nossas mães, trazíamos a Senhora d’Agonia embutida em nós”, conta Ana. Para a devota, a relação com a santa não se explica como uma simples paixão ou tradição: “É mais que uma tradição, é uma herança”.

Na Ribeira, a fé nasceu muitas vezes do desespero. Os homens partiam para o mar e as mulheres ficavam à espera. Quando o tempo piorava e os barcos tardavam em regressar, a capela da Senhora d’Agonia era o lugar no qual se depositava a esperança. Ana Castro recorda o pai, pescador, que morreu no mar quando ela tinha apenas seis anos. “O mar dá e tira”, diz emocionada. Foi nesse momento que a fé ganhou outra dimensão: “Por isso entregamo-nos à Senhora d’Agonia; é como se fosse a nossa vida e a nossa esperança”.

Também Madalena guarda na memória as noites de espera. Lembra-se da mãe ajoelhada perante os santos, enquanto ela permanecia acordada, à espera de o pai regressar. Hoje, quando vê a Senhora passar, o sentimento revive: “Passa-nos tudo pela memória” admite. Leva consigo uma fotografia do pai e do sogro, como quem leva ao peito aqueles que o mar leva e traz.

Sara conhece igualmente esse medo. Recorda os barcos a tentar atravessar a barra em dias de mau tempo, os gritos na praia e a angústia de deixar de os ver nesses momentos, a Senhora d’Agonia estava sempre presente: “Nos bons e nos maus momentos, foi sempre ela”.

“Eu todos os dias prometo à Senhora não me esquecer dela, é a minha promessa mais importante. Assim como peço que ela não s

Tags Diocese

Para continuar a ler este artigo

Torne-se assinante e tenha o poder da informação do seu lado.

  • Edição Digital 2 meses

    5,00 Subscrever
  • Edição Digital Anual

    25,00 Subscrever
  • Edição Digital + Edição Papel Anual

    35,00 Subscrever
  • Cancele quando quiser Saber Mais

    Explore outras categorias