Dia Mundial do Médico de Família: Mais de 1,6 milhões de utentes continuam sem médico de família e pressão sobre o SNS agrava-se

O Dia Mundial do Médico de Família assinala-se num momento em que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) continua a enfrentar uma carência significativa de especialistas em medicina geral e familiar, com mais de 1,6 milhões de utentes sem médico atribuído.

Notícias de Viana
19 Mai. 2026 3 mins

Segundo dados do Portal da Transparência do SNS, em março estavam registados 1.624.358 utentes sem médico de família, mais 30.557 do que no mesmo período de 2025. A região de Lisboa e Vale do Tejo concentra a maior fatia do problema, com mais de 1,1 milhões de pessoas nesta situação, seguida do Algarve e do Alentejo.

A situação é assinalada num contexto em que a Ordem dos Médicos alerta para um “paradoxo” no sistema que, apesar do aumento do número de especialistas em medicina geral e familiar na última década, de cerca de 6.000 em 2015 para mais de 9.000 atualmente, o número de utentes sem médico de família também tem aumentado.

A propósito da data, o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, sublinha que o crescimento do número de médicos não tem sido suficiente para compensar a saída de profissionais do Serviço Nacional de Saúde, apontando como principal causa a falta de atratividade da carreira, a par das aposentações e da crescente migração para o setor privado, social ou para o estrangeiro. “Temos que inverter este ciclo”, defende a Ordem, que está a preparar um compromisso estratégico para a Medicina Geral e Familiar, a apresentar ao Governo, centrado no acesso universal a médico de família, na valorização da especialidade e no reforço da governação clínica nos cuidados de saúde primários.

O documento será discutido num fórum promovido pela Ordem dos Médicos e pelo colégio da especialidade, que reúne, pela primeira vez, entidades representativas do setor, incluindo diretores clínicos, sindicatos médicos e associações profissionais.

Entre os principais problemas identificados estão as dificuldades na fixação de profissionais no SNS, a sobrecarga dos cuidados de saúde primários e as fragilidades na articulação entre serviços e sistemas tecnológicos.

Apesar da abertura recente de 711 vagas para especialistas em medicina geral e familiar, a Ordem alerta que o impacto real dependerá da sua ocupação efetiva e critica a distribuição territorial das vagas, considerando que algumas das zonas mais carenciadas ficaram fora do mapa de reforço.

No mesmo contexto, a entidade defende ainda uma revisão dos modelos de organização dos cuidados de saúde primários e alerta para o risco de um SNS cada vez mais centrado no hospital e nas urgências, em detrimento da medicina de proximidade.

c/ Lusa

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