A Cultura em Viana do Castelo está ao rubro! É o tema que está na ordem do dia. Eu diria mesmo, que é, neste momento, a maior preocupação dos Vianenses. Qual custo de vida, problemas de mobilidade e transportes, listas de espera nos hospitais ou falta de professores. O grande tema em debate é o antigo Convento de São Bento e as suas ruínas. E confesso que fico contente. Estar num café e ouvir – entre conversas futebolísticas – o que se deve ou não fazer aos achados arqueológicos do antigo Convento de São Bento, é uma satisfação!
De facto, nunca antes, como agora, se viveu e respirou Cultura em Viana do Castelo. Os Vianenses valorizam estas questões. Centro-me nos achados arqueológicos de São Bento, mas poderia escrever sobre a Romaria da Agonia e o descontentamento pelas mal-afamadas inscrições no desfile da mordomia, onde tudo parece sempre falhar, pela “intimista” Feira do Livro e sua controversa deslocalização, ou pelo infeliz – mas sempre atual – abandono do Convento de São Francisco.
É importante perceber, ao longo destes mesmos debates, o que a larga maioria dos Vianenses defende como princípio basilar: a preservação da história, da identidade e da sua cultura. Será sempre elementar dar ouvidos aos Vianenses. Coloco também de parte as abordagens oportunistas e de aproveitamento político, bem como o tradicional “bota-abaixo”. Essas ficam de fora. Concentro-me apenas na profícua discussão que tanto inquieta a cidade de Viana do Castelo.
Com efeito, as obras para o novo mercado – interrompidas devido aos achados arqueológicos do local – trouxeram à discussão o modo como deverão (ou não) ser preservadas estas ruínas. O grande problema, diria eu, é que esta questão está intimamente ligada ao controverso Prédio Coutinho. Em consequência, grande parte dos argumentos apresentados vem já inquinados por questões antigas e mal resolvidas. Já sabemos que, para uma grande maioria, tudo o está relacionado com o Prédio Coutinho, está mal. A sua construção. A posterior demolição. O novo mercado. E agora os achados. Grande infortúnio para o património e para a arqueologia, porquanto o debate se queria sério, técnico e rigoroso.
Não tenho a certeza que tipo de mercado se pretende para Viana do Castelo: se um mercado tradicional de produtos frescos para servir a população, ou se um mercado virado para a “turistificação”, tal como tem vindo a acontecer nos mercados das nossas principais cidades. Seja qual for o objetivo, a ruína preservada e visitável, seria sempre uma mais-valia. O mercado ganharia enorme potencial.
Segundo veiculado, “os achados arqueológicos serão destruídos para a construção do piso -1 do parque de estacionamento”. Quem trabalha em património, não poderá pactuar com esta opção. A discussão deverá passar a ser onde se vai construir o novo parque de estacionamento – necessário ao normal funcionamento e abastecimento do mercado – e não se os cinco séculos de história deverão ou não ser preservados.
A História vai-nos trazendo ensinamento. A decisão de manter estas estruturas nunca nos trará arrependimento. Pelo contrário, a sua destruição, irreversível, será, mais cedo ou mais tarde, descrita e referida na história, como uma má decisão.
Inquestionável será pois o estudo das ruínas e a preservação dos achados. Tudo o resto, de facto, é discutível. O meu desejo é que se opte por uma solução de musealização das ruínas e compatibilização com o novo edifício. Mas se não for essa a opção, paciência. Num futuro, poderá sempre ser esta uma solução. Em caso algum, os trabalhos e estruturas a construir no local, deverão destruir ou colocar em risco o existente.
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