A única certeza da vida, a morte!

Mónia Grácio
13 Abr. 2026 3 mins
Mónica Grácio

Ensinaram-me que a morte é a única certeza absoluta que acompanha toda a existência humana. Planos e projetos mudam, relações transformam-se, convicções evoluem mas o fim é inevitável e está silenciosamente escrito em todos os que vivemos. Perante isto é curioso como algo tão certo, como o pôr-do-sol, nos causa tanto desconforto e sofrimento.

Se olharmos a morte com discernimento, de um modo racional e frio sabemos que esta é um limite natural dentro de um ciclo, para mim, misterioso… porque uns morrem mais jovens, sofrem mais, entre mais uma série de questões que cada morte com que nos deparamos nos provoca.

O medo e a inquietação que sentimos surge talvez do amor e apego às pessoas que tememos perder, às experiências e tempo que partilhamos. A morte não devia ser vista como inimiga mas como lembrete constante que o tempo é limitado, viver é urgente.

A morte de um familiar ou de alguém que nos é querido é uma das experiências mais universais e muitas vezes solitária que atravessamos enquanto seres humanos. Quando ela se aproxima de forma concreta, quando ganha nome, rosto e história, deixa de ser um conceito distante e torna-se numa dor difícil de traduzir em palavras.
Perder alguém que amamos não é apenas dizer adeus a uma pessoa. É, de certa forma, reaprender a viver. Há rotinas que se desfazem, silêncios que se tornam mais densos, memórias que passam a ser ao mesmo tempo abrigo e ferida. A dor da perda não segue um caminho linear; ensina-nos, muitas vezes de forma dura, que o luto é um processo.

Na Semana Santa em Ponte de Lima, falou-se de luto, falou-se da perda de um filho… uma das dores mais difíceis de conceber. Esta perda parece contrariar a própria ordem, que consideramos natural, da vida. Nenhum pai, nenhuma mãe, consegue estar preparado para ver partir um filho. É uma ruptura que desafia não só o coração, mas também o sentido que damos à existência.

A fé, que para muitos é sustento e refúgio, pode sair fortalecida… ou profundamente abalada. Há quem encontre nela consolo, uma forma de acreditar que a morte não é o fim, mas uma passagem. Outros, porém, confrontam-se com dúvidas, com revolta, com o silêncio de respostas que não chegam. E talvez ambas as reações sejam legítimas porque a fé, tal como o luto, também se transforma.

Vivemos, contudo, numa sociedade apressada. O tempo corre, as exigências multiplicam-se, e há cada vez menos espaço para parar e simplesmente estar com quem sofre. A tristeza torna-se muitas vezes incómoda e quase invisível.

Talvez o maior desafio seja exatamente esse: dar tempo à dor, reconhecer a sua presença, e permitir que ela, lentamente, se transforme. E, como comunidade, reaprender a olhar com mais paciência, mais empatia para quem está a tentar, dia após dia, viver novamente.

O amor que sentimos não morre com a partida dos que nos são queridos, permanece vivo sustentando a esperança de que um dia nos reencontraremos.

Deixo o convite para vivermos plenamente, amar profundamente e confiar que tudo o que plantamos com amor florescerá, mesmo além desta vida!

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