A idade legal de acesso à reforma vai voltar a subir em 2027, fixando-se nos 66 anos e 11 meses, mais dois meses do que em 2026, segundo os dados mais recentes da esperança de vida divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). A subida confirma uma tendência de ajustamento gradual do sistema em função da longevidade da população portuguesa.
De acordo com o INE, “a esperança de vida aos 65 anos, no período 2023-2025, foi estimada em 20,19 anos para o total da população”, o que representa um aumento de 0,17 anos (cerca de dois meses) face ao triénio anterior. Este acréscimo explica o novo ajustamento da idade da reforma, que continua a acompanhar a evolução demográfica.
Na prática, trata-se de mais um passo numa trajetória de subida progressiva da idade de acesso à pensão de velhice, acompanhando o aumento consistente da longevidade. Em 2026, a idade da reforma já tinha subido dois meses face a 2025, num padrão de ajustamentos sucessivos que se tem repetido nos últimos anos.
O impacto também se faz sentir nas reformas antecipadas. Segundo os dados em vigor, quem sair do mercado de trabalho antes da idade legal em 2026 enfrenta um corte de 17,63% na pensão, penalização que se mantém associada ao fator de sustentabilidade e à expectativa de vida da população.
A lógica do sistema é quanto maior a esperança média de vida, mais tarde se acede à reforma sem penalizações. Mas o efeito combinado destas alterações tem sido alvo de debate, sobretudo num contexto em que a subida da idade legal se traduz, na prática, num prolongamento da vida ativa obrigatória.
A evolução recente confirma que a idade da reforma tem vindo a ser ajustada quase anualmente, refletindo pequenas variações estatísticas na esperança de vida. Ainda assim, o INE sublinha que “estes valores resultam de médias trienais”, o que suaviza variações pontuais, mas mantém a trajetória de subida.
Num país envelhecido e com pressão crescente sobre a segurança social, estes ajustamentos são apresentados como uma forma de garantir a sustentabilidade do sistema. Mas, na prática, significam que a reforma, para muitos trabalhadores, continua a afastar-se mês após mês.
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