Viana do Castelo, entre o rio, o mar e a montanha, é uma cidade que parece desenhada com cuidado. Talvez seja por isso que custa tanto ver essa beleza ferida por pequenos actos de indiferença que, somados, dizem muito sobre a forma como tratamos o lugar onde vivemos.
Um colchão encostado a um contentor. Sacos de lixo abertos no passeio. Vidros espalhados numa berma. Caixas, embalagens e restos de obras deixados no espaço público. Não é um fenómeno novo, e muito menos exclusivo da nossa cidade, mas todos conseguimos perceber que tem piorado.
Há várias razões para isto, e seria simplista apontar o dedo numa única direcção. Os serviços de recolha podem melhorar certamente, mas é também necessário reconhecer que enfrentam diariamente uma pressão enorme. Resolvem uma situação num dia e, no seguinte, tudo parece regressar ao mesmo caos.
É difícil compreender este desleixo (se é que lhe podemos chamar apenas isso). O saco atirado ao lado do contentor que estava perfeitamente acessível. A televisão velha deixada no meio do passeio. O entulho despejado numa zona verde porque era mais cómodo do que contactar os serviços. A lista seria interminável. E convém não esquecer que estes actos são, para todos os efeitos, ilegais.
A cidade não se cuida sozinha. Cuida-se através dos serviços que a servem, mas também com o contributo de cada um de nós.
Há algo de estranho em gostar profundamente de um lugar e, ao mesmo tempo, tratá-lo com indiferença.
À nossa medida, somos todos guardiões desta bonita cidade. Cuidemos dela.
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