O III Encontro de Centros Sociais e Paroquiais da Diocese de Viana do Castelo reuniu dezenas de dirigentes, técnicos e responsáveis institucionais no auditório do Centro Pastoral Paulo VI, em Darque, num dia marcado pela reflexão sobre os desafios crescentes da gestão social, pela partilha de experiências e pelo apelo a uma maior cooperação entre instituições.
A iniciativa, subordinada ao tema “Momentos de Aprendizagem e Partilha”, contou com a presença do Bispo de Viana do Castelo, D. João Lavrador, do diretor do Centro Distrital da Segurança Social, Orlando Antunes, e da especialista Sílvia Machado, autora da obra “A Direção Técnica nas Respostas Sociais e de Saúde: Atribuições e Desafios”.
Na sessão de abertura, D. João Lavrador sublinhou a importância da continuidade destes encontros e da construção de uma resposta social mais articulada. “Já é o terceiro [encontro], e esperemos que muitos outros venham, porque na partilha e na troca de aprendizagens nós vamos fazer um caminho”, afirmou.
O Bispo diocesano destacou ainda a necessidade de as instituições enfrentarem os novos desafios “sem medo”, defendendo uma maior união entre centros sociais, quer na gestão de recursos humanos, quer na partilha de meios materiais. “A sociedade já nos está a interpelar a encontrarmos melhores soluções para uma maior rentabilização dos recursos”, afirmou.
D. João Lavrador deixou também palavras de reconhecimento aos profissionais do setor social, valorizando a dimensão humana do trabalho desenvolvido diariamente junto das populações mais vulneráveis. “O profissionalismo é importante, mas há uma ligação humana própria deste serviço. Quem está ao serviço ultrapassa aquilo que seria apenas o dever profissional. Há um apelo ao coração”, disse.
Na intervenção de boas-vindas, o Pe. Rui Rodrigues, diretor do Secretariado diocesano da Pastoral Social, descreveu o encontro como “um espaço privilegiado de reflexão e partilha” entre todos os que trabalham no setor social e paroquial. “São vocês, na verdade, a alma deste encontro. São testemunho vivo de que é possível construir uma sociedade mais justa, mais inclusiva e mais solidária”, afirmou, dirigindo-se aos dirigentes e técnicos presentes.
O responsável destacou ainda o papel das instituições da Igreja na resposta às fragilidades sociais e evocou palavras recentes do Papa Leão XIV sobre a doutrina social da Igreja “na defesa da dignidade humana, da justiça e do trabalho”.
Já Orlando Antunes, diretor do Centro Distrital da Segurança Social de Viana do Castelo, elogiou o trabalho desenvolvido pelas instituições do distrito e garantiu que o território “está a respirar bem” na resposta social, apesar das dificuldades existentes em algumas áreas. “O humanismo é fundamental. Esta atividade é de pessoa para pessoa”, afirmou o responsável, salientando que encontra nas instituições “pessoas que fazem mais do que aquilo a que seriam obrigadas”.
Orlando Antunes revelou ainda alguns números da rede social do distrito, referindo a existência de “cerca de 30 respostas sociais, 360 acordos de cooperação e quase 28 mil utentes abrangidos”.
O dirigente anunciou também a abertura de novas respostas sociais, incluindo um novo Centro de Actividades e Capacitação para a Inclusão (CACI), destinado à população com deficiência.
Um dos momentos centrais do encontro foi a conferência de Sílvia Machado, centrada na crescente complexidade da gestão das instituições sociais.
A especialista alertou para o desgaste sentido por dirigentes e diretores técnicos, defendendo a necessidade de criar estratégias de retenção de profissionais e políticas de bem-estar organizacional. “Hoje as instituições são pequenas e médias empresas, mas com poucos recursos e as mesmas exigências”, afirmou.
Sílvia Machado chamou a atenção para o aumento do burnout no setor e criticou a excessiva burocratização das respostas sociais. “Temos uma cultura de medo e desconfiança instalada nas instituições”, disse, apontando também para a perda progressiva de autonomia técnica e de gestão.
A especialista defendeu ainda uma mudança cultural nas organizações sociais, valorizando o chamado “salário emocional” e o cuidado com os trabalhadores. “Nós trabalhamos com pessoas e para pessoas. Mas, para cuidarmos, também temos de cuidar de quem trabalha connosco”, afirmou.
Ao longo da intervenção, deixou vários desafios às instituições, desde a necessidade de investir na formação emocional das equipas até à criação de políticas internas de felicidade organizacional. “Se queremos equipas motivadas e comprometidas, temos de olhar para os trabalhadores como pessoas com expectativas, famílias e necessidades”, sustentou.
O encontro terminou com um momento de debate entre os participantes, centrado nas dificuldades comuns do setor, na sustentabilidade das respostas sociais e na necessidade de reforçar redes de cooperação entre instituições do distrito.
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