As quatro propostas finalistas para a futura ponte pedonal e ciclável sobre o rio Lima estão, agora, expostas publicamente em Viana do Castelo, num momento que permite a visualização das soluções apresentadas no concurso internacional de ideias promovido pela autarquia.
A iniciativa ocorre após a seleção da proposta vencedora, que prevê uma travessia em “S”, a jusante da Ponte Eiffel (Viana do Castelo), e apresenta ao público os projetos que chegaram à fase final de avaliação.
Durante a inauguração da exposição, o presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Luís Nobre, enquadrou o processo como um exercício de abertura e de escolha técnica. “Para outras propostas que foram consideradas válidas, na sequência de uma iniciativa inédita, foi promovermos um concurso internacional de ideias para, dessa forma, desejando receber propostas completamente descomprometidas com o que é, muitas vezes, a paixão, nos condiciona e nos conduz e nos orienta”, afirmou.
O autarca sublinhou ainda a intenção de privilegiar soluções técnicas e não condicionadas por preferências prévias, “Nós não queríamos isso, queríamos verdadeiramente que surgissem equipas e propostas que nos metessem em soluções que fossem absolutamente técnicas”, frisou.
A exposição das propostas permite agora o contacto público com as soluções finalistas, embora o processo decisório tenha ocorrido em fases anteriores, através de um júri no âmbito do concurso de ideias.
Segundo Luís Nobre, o concurso teve também uma dimensão de abertura institucional. “Este é também um exercício de transparência, de envolvimento coletivo”, afirmou.
Ainda assim, o mesmo processo decorreu em contexto de avaliação técnica e não de votação pública ou participação vinculativa na escolha da solução vencedora.
No painel da exposição, a equipa responsável pela proposta “Regata”, composta por Armando Rito Engenharia e Knight Architects, descreve a solução como uma ponte “para Viana do Castelo”, sublinhando que se trata de uma obra “pertencente à cidade e ao seu contexto, enraizada na história, na cultura e na tradição do lugar”.
A proposta destaca a necessidade de coexistência com a Ponte Eiffel (Viana do Castelo), defendendo uma solução baseada em “clareza e limpeza estrutural” que evite que a nova infraestrutura “oculte a Ponte Eiffel ou se transforme num foco de atenção excessivo nas vistas em que ambas se sobrepõem”.
Segundo o mesmo texto, o traçado em “S” procura afastar a nova ponte da estrutura histórica, “evitando interferir na sua leitura e permitindo que seja admirada a partir da nova ponte, de diferentes pontos de vista e a diferentes distâncias”.
A equipa afirma ainda que a solução pretende ir além da função de atravessamento, defendendo que “mais do que uma ponte, pretende criar espaços que inspiram uma transformação urbana”, valorizando a ligação entre margens e a relação entre cidade, rio e paisagem.
No discurso do presidente da autarquia, a opção pela nova ponte insere-se numa estratégia de mobilidade suave e de reorganização do espaço urbano ribeirinho. “Temos aqui uma necessidade de estabelecermos uma ligação mais franca, segura, no plano da mobilidade suave entre as duas margens”, referiu Luís Nobre, defendendo a concretização da travessia como resposta a uma procura já existente.
O autarca enquadrou ainda o projeto como parte de um conjunto de opções de investimento municipal. “Na vida tomamos opções (…) se tivesse que decidir entre uma nova via rodoviária ou esta via de modos suaves, eu não tenho dúvidas”, acrescentou.
A exposição permite observar as soluções arquitetónicas e estruturais apresentadas no concurso, incluindo a proposta vencedora, que aposta num traçado em “S” e numa estrutura de tirantes. No entanto, o processo de decisão já se encontra concluído nesta fase, estando a exposição centrada na divulgação das alternativas e não na reabertura do debate sobre a escolha final.
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