Esta manhã, uma vez mais, ao som dos pássaros que ao longe chilreavam, o tempo avizinhava-se e sussurrava: “tempo para calar”!
Ressonância no meio do silêncio da penumbra da noite que ainda se fazia sentir.
Um convite, um desafio lançado a quem o quisesse escutar.
Atenção, sossego, quietude, paz!
A manhã ainda não tinha despertado. Ao longe parece decifrar-se um murmúrio, bruma suave, um sussurro. Era o rumor do tempo que queria parar e desafiar os mais apressados à descoberta. “Para tudo há um momento”!
Hoje será tempo para calar. Sem repousar a voz, como quem se faz mudo por um momento, não é possível dizer… Falar sem escutar é tempo perdido, vazio de sentido e significado.
Silenciar e permanecer à escuta. Aproveitar este tempo, sentido o orvalho da manhã a chegar devagar. Escutar!
Afinal “Para tudo há um momento… tempo para calar e tempo para falar”.
Escutar Aquele que um novo dia oferece qual presente a descobrir, desembrulhando a dádiva da própria vida! Deixar aquela Voz ecoar e, então, as palavras tecerão um baile alegre, entusiasta. Quem sabe se assim haja quem consiga ouvir ou até escutar o sentido daquele baile musicado, vivo, tecido no silêncio do encontro profundo…
Convite da brisa da manhã que se aproxima suave, de mansinho para não acordar com estrondo o mais desatento e sonolento.
E, como não ter presente a vida do discípulo? Impossível. Ao mesmo tempo, também ele, missionário. Incrível o dia que se avizinha. Beleza indescritível, contrastando com o alvoroço dos dias, não poucas vezes marcados por sobressaltos, alaridos, zumbidos, tumultos, guerras.
Um desejo se faz presença, porque “há um tempo para falar”: paz, paz, haja paz!
Aquela paz que começa com o amanhecer de cada novo dia e que habita em cada coração. Mas porque habitado por essa paz o discípulo missionário vislumbra que “para tudo há um momento… tempo para calar e tempo para falar”!
Anunciar com silêncio e palavra. Anunciar depois de escutar.
O dia amanhece apressado. A vida irrompe no meio do clamor que ao longe começa a desenhar-se. Mal se escuta, mas o dia desperta.
É tempo de viver. É tempo de falar.
E, se nos deixássemos desafiar a escutar a Palavra pela manhã, para a viver ao longo do dia?!
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