A Guarda Nacional Republicana (GNR) promoveu, no distrito de Viana do Castelo, várias iniciativas de sensibilização dirigidas à população sénior para assinalar o Dia Mundial da Consciencialização da Violência contra a Pessoa Idosa, numa altura em que o Papa Leão XIV alerta para a necessidade de combater a solidão, o abandono e o esquecimento dos mais velhos.
As ações desenvolvidas pelas Secções de Prevenção Criminal e Policiamento Comunitário de Arcos de Valdevez, Valença e Viana do Castelo envolveram centenas de idosos e procuraram reforçar a prevenção da violência, das burlas e das situações de vulnerabilidade social.
Em Arcos de Valdevez, a iniciativa reuniu cerca de 420 idosos, acompanhados por 70 auxiliares, provenientes de 40 instituições dos concelhos de Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Ponte de Lima e Paredes de Coura. A ação contou ainda com a participação de representantes de entidades locais, serviços de proteção civil e instituições sociais.
Já em Melgaço, uma ação de sensibilização promovida em parceria com o Contrato Local de Desenvolvimento Social (CLDS) envolveu 42 idosos e incluiu uma caminhada pelos trilhos de Lamas de Mouro e uma aula de ginástica, incentivando o envelhecimento ativo e o convívio entre participantes.
Paralelamente, em Viana do Castelo, os militares da GNR realizaram visitas domiciliárias a idosos, reforçando conselhos de segurança, prevenção de burlas e divulgação dos mecanismos de apoio disponíveis para situações de violência ou isolamento.
Em comunicado, a Guarda sublinha que “a proteção da população idosa constitui uma das prioridades” da instituição, destacando o trabalho diário desenvolvido junto de pessoas em situação de vulnerabilidade, isolamento ou risco social.
As iniciativas da GNR coincidem com a mensagem do Papa Leão XIV para o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, este ano subordinada ao tema “Eu nunca te esquecerei”, inspirado no Livro de Isaías.
Na mensagem divulgada pelo Vaticano, o pontífice recorda a promessa de Deus de nunca abandonar os seus filhos e alerta para a realidade de muitos idosos que vivem marcados pela solidão e pela sensação de esquecimento. “A dolorosa sensação de ser esquecido é, infelizmente, comum a muitas pessoas e, entre elas, não poucas são idosas”, escreve.
Leão XIV denuncia uma cultura que tende a relegar os mais velhos para a margem da sociedade e alerta para situações em que a identidade e a dignidade das pessoas acabam ofuscadas pelo isolamento. “Sobre a existência de muitos idosos parece estender-se um véu que esbate as feições dos rostos e relega ao esquecimento”, lamenta.
O Santo Padre dirige ainda um apelo particular às gerações mais novas para que cultivem relações de proximidade com os idosos, sobretudo aqueles que vivem sozinhos. “Que este Dia seja um estímulo para todos, em particular os mais jovens, retomarem o bom hábito de visitar os seus avós, os idosos da família e também aqueles que não recebem nenhuma visita”, desafia.
Para Leão XIV, a presença e a atenção aos mais velhos são formas concretas de combater a exclusão e de afirmar a dignidade de cada pessoa. O Papa considera ainda que a fragilidade associada à velhice não deve ser vista como um obstáculo, mas como uma oportunidade para fortalecer os laços humanos e espirituais. “Não tenhais medo da fragilidade. É justamente esta fraqueza que esconde em si uma nova potencialidade”, afirma.
A concluir, o Papa agradece as orações dos idosos e deixa uma mensagem de esperança e confiança em Deus. “Que o Senhor nos renove sempre na fé, na esperança e na caridade, Ele que nunca se esquece de nós”, escreve.
Notícias atuais e relevantes que definem a atualidade e a nossa sociedade.
Espaço de opinião para reflexões e debates que exploram análises e pontos de vista variados.