Catequese e Família: Um Caminho que se Faz em Conjunto

Mónia Grácio
10 Ago. 2026 5 mins
Mónica Grácio

As famílias de hoje vivem a um ritmo exigente. Entre o trabalho, responsabilidades familiares que vão desde o mais básico e rotineiro como a preparação das refeições, às situações imprevistas, tornando sempre os dias muito curtos para tantos afazeres.

Na família basta que um dos elementos “falhe” para que toda a organização se altere. E há alturas em que é ao fim-de-semana quando habitualmente decorre a catequese, que muitas famílias encontram a única oportunidade para estarem verdadeiramente reunidas e fazerem o que ficou pendente da semana.

Acredito que ninguém coloca em causa a importância da catequese. Ela é um espaço privilegiado de crescimento na fé, de encontro com Cristo e de integração na comunidade cristã. No entanto, também é importante reconhecer que a família é a primeira escola da fé e que o tempo vivido em conjunto não deve ser visto como um obstáculo à catequese, mas como um complemento essencial da mesma.

Cada família tem a sua realidade, as suas alegrias, as suas dificuldades e as suas exigências profissionais e sociais. Não existem duas famílias iguais e a comunidade deve saber acolher esta diversidade com compreensão e proximidade. Quando os pais inscrevem os filhos na catequese, fazem-no, na grande maioria dos casos, porque acreditam na importância deste percurso. Fazem-no porque desejam transmitir a fé aos seus filhos.

É precisamente por isso que a comunidade cristã deve ser um lugar de acolhimento, de apoio e de compreensão. Infelizmente, há momentos em que alguns pais sentem mais o peso da obrigação de marcar presença do que o convite a viver a fé com liberdade e alegria. A catequese não deve ser apenas um lugar onde se ocupa uma cadeira, deve ser um espaço onde se está de coração inteiro, com amor e disponibilidade para Deus e para os outros.

Por vezes, a vida coloca-nos diante de escolhas que também são oportunidades de educar na fé. Que valor tem uma criança estar presente na catequese se, para isso, abdica de visitar um avô, um familiar ou um amigo doente?!?! Não será também esse um momento privilegiado para ensinar catequese?!?! A oração pode acontecer na sala da catequese, mas também à cabeceira de um doente, no hospital, na igreja, em casa ou em qualquer outro lugar no silêncio de um coração agradecido. Rezar, agradecer, pedir por alguém ou acompanhar quem sofre são formas concretas de viver a fé e de ensinar às crianças que amar o próximo não é apenas uma lição, mas deve ser uma prática.

A catequese e a família não devem caminhar em competição, devem caminhar lado a lado, reconhecendo que a educação na fé acontece tanto num encontro da catequese como nos pequenos gestos de amor, de serviço, de perdão e de cuidado que se vivem em família. Talvez seja este o maior desafio da Igreja de hoje, ajudar as famílias a descobrir que seguir Cristo não se resume ao cumprimento de horários, mas passa sobretudo por aprender a reconhecer a Sua presença nas circunstâncias concretas da vida quotidiana.

Sei que há lugares onde as orações nos brotam das entranhas. Depois de ter passado 11 dias num internamento de pediatria, contar os minutos sentada à porta de um bloco operatório, posso garantir que há lugares onde a dor, a incerteza ou a fragilidade nos fazem levantar os olhos e procurar Deus de uma forma que nenhuma oração previamente preparada consegue exprimir. São momentos em que tudo à nossa volta nos poderia levar a duvidar, mas, ainda assim, acreditamos, como se uma voz serena no íntimo do coração nos repetisse “Vai correr tudo bem”.

Nesses dias, quando alguém nos pergunta se precisamos de alguma coisa, a resposta é simples: “Preciso que rezes”. E essa oração torna-se o maior gesto de amor e esperança que podemos receber. Talvez, nesse dia uma criança não esteja sentada na cadeira da catequese, mas está ao lado do irmão, da mãe, do pai, de um familiar ou de um amigo que precisa daquela presença. Reza com os pais, junta as mãos, faz perguntas, chora, espera e aprende que Deus também está presente na dor, na fé que alimenta a esperança e no amor que se partilha. E essa experiência dificilmente será esquecida.

O caminho da fé aprende-se e percorre-se na catequese, mas não apenas na catequese. Aprende-se e percorre-se também com a vida. Aprende-se quando se ama, quando se serve, quando se acompanha quem sofre, quando se agradece e quando, no meio das dificuldades, se continua a confiar em Deus. Na minha opinião há lições que nenhum catecismo, livro ou manual pode ensinar e que só a vida, iluminada pela fé, é capaz de transmitir.

A catequese deve ser um caminho que não se percorre sozinho. Deve ser uma jornada feita de mãos dadas, de passos partilhados, de encontros que nos ajudam a crescer na fé e no amor.

Gostava que a catequese fosse o lugar onde todos continuamos a aprender a amar e a deixar-nos amar, onde a presença é um compromisso que fortalece a comunidade e alimenta a esperança. Gostava que fosse um espaço de misericórdia, onde a ausência não é motivo de julgamento, mas de compreensão, acolhimento e cuidado.

Caminhar em conjunto é celebrar quem está, sem esquecer quem, por algum motivo, não conseguiu estar. É continuar a guardar um lugar no coração e na comunidade para cada pessoa. Acredito que Deus nunca deixa de caminhar ao lado de ninguém, acredito que Deus caminha com todos.

 

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