Os Antigos Paços do Concelho, em Viana do Castelo, foram o local escolhido pelo Eixo Atlântico, associação transfronteiriça de municípios da Galiza e do Norte de Portugal que promove a cooperação territorial, o desenvolvimento sustentável e a integração cultural e desportiva, para acolher as obras vencedoras das diversas edições da Bienal de Pintura do Eixo Atlântico.
Abrangendo uma área com mais de sete milhões de habitantes, Luís Nobre, presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo e, há cerca de um ano, também presidente do Eixo Atlântico, assume que um dos objetivos da organização “era criar efetivamente uma centralidade económica e cultural, transformando as cidades do Norte peninsular em centros de rendimento económico e de cultura”.
Desta forma, segundo o autarca, é “importante continuarmos a reunir, a aproximar e a continuar a transformar e a atualizar este espaço de reflexão e debate no Eixo Atlântico”, acrescentando que “este espaço representa muito da história de Viana do Castelo e pode continuar a ser um espaço de reflexão, debate e cultura”.
Apesar de a exposição se encontrar atualmente sediada nos Antigos Paços do Concelho, o edil adiantou que as obras serão posteriormente transferidas para o futuro Centro de Interpretação da História do Eixo Atlântico, que será instalado na antiga residência feminina de estudantes, localizada na Av. Conde da Carreira, em Viana do Castelo.
O investimento deverá rondar entre 700 mil e um milhão de euros, valor apontado por Luís Nobre em julho do ano passado, aquando da apresentação pública do projeto. Agora, o autarca garante que o espaço estará de pé “antes de 2028”, embora a autarquia, ainda, se encontre em conversações com a Direção-Geral do Património Cultural para avançar com a intervenção.
Para o presidente da Câmara de Viana do Castelo, “Viana do Castelo tem esta particularidade: interpretar muito bem o que é a sua identidade e, a partir dessa identidade, construir. Isso é que faz a diferença e só assim é que faz sentido a cultura”.
Por sua vez, o secretário-geral do Eixo Atlântico, Xoán Mao, destaca que “a primeira linha é a cultura, porque foi o elemento que manteve a Europa unida, ao longo dos séculos”, defendendo que “mesmo na etapa escura das ditaduras, era a cultura que continuava, de alguma forma, fazendo com que fôssemos como um povo único, como a mesma gente, o Norte de Portugal e a Galiza”.
Há cerca de 33 anos, o Eixo Atlântico nasceu em Viana do Castelo. Na altura, seis câmaras assinaram um acordo que deu origem ao primeiro sistema urbano transfronteiriço da Europa. Mais de três décadas depois, a organização reúne 42 municípios e mais de 400 pessoas permanentemente envolvidas no processo, entre eleitos e técnicos de diferentes áreas.
No que diz respeito à exposição, o secretário-geral do Eixo Atlântico sublinha que “estas obras representam a pintura do Norte da Galiza nestes últimos 30 anos”.
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