Quando chega o momento de escolher um curso no 10.º ano, muitos jovens sentem o peso de uma decisão que parece definir todo o seu futuro. Entre ciências, humanidades, economia, artes, e outros cursos há ainda uma ideia muito presente na sociedade: algumas áreas são “seguras” e outras são vistas como atividades para ocupação de tempos livres, lazer. A música, infelizmente, continua muitas vezes a ser vista como pertencendo a este segundo grupo.
Esta perceção ficou clara numa conversa simples em família. A minha mãe perguntou ao meu filho se ele já sabia o que queria ser quando fosse adulto. A resposta surgiu sem hesitação: “Quero ser músico.” Em vez de curiosidade ou incentivo, a reação foi imediata: “Isso é um passatempo.” Esta resposta, tão comum, revela uma mentalidade enraizada de que a música não pode, ou não deve, ser encarada como uma profissão séria.
Mas porquê? Ser músico exige vocação, amor, disciplina, estudo contínuo, prática diária e, acima de tudo, dedicação. Tal como qualquer outra carreira, implica esforço, investimento e talento. No entanto, em Portugal, continua a existir uma desvalorização evidente das artes, sobretudo das artes clássicas.
Esta falta de valorização tem consequências. Muitos jovens acabam por abandonar o que realmente gostam por medo de não terem futuro, optando por cursos considerados mais “seguros”, mesmo que não se identifiquem com eles. Assim, perde-se não só talento, mas também diversidade cultural e artística.
Talvez esteja na altura de questionar esta visão. Porque não pode um músico ter uma carreira tão válida como, por exemplo, um engenheiro ou um médico?
Porque é que continuamos a separar aquilo que amamos daquilo que consideramos “profissão”?
Escolher um curso no 10.º ano deveria ser também escolher um caminho que nos motive e inspire.
Ser músico não é apenas um passatempo. Para muitos, é uma vocação, um projeto de vida e uma profissão tão digna como qualquer outra. Cabe à sociedade começar a reconhecê-lo.
Cada nota que tocam em palco é o culminar de horas de estudo, por trás de cada apresentação perfeita há uma dedicação invisível que a sociedade, no geral, ainda não aprendeu a ouvir.
Aplaudimos o resultado mas ignoramos o processo. É tempo de se valorizar o que começa muito antes de as luzes se acenderem.
Entre o rigor das pautas e a incerteza do mercado de trabalho já escolhi apoiar o sonho do meu filho João, afinal a música mais importante que ele vai compor é a do caminho para a sua felicidade! Acredito que na composição da nossa existência as escolhas que fazemos com amor são as que estão no ritmo certo e nunca desafinam!

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