O Dia Internacional do Enfermeiro assinala-se sob o lema “Empowered Nurses Save Lives” (“Enfermeiros empoderados salvam vidas”), numa altura em que os sistemas de saúde enfrentam uma escassez crescente de profissionais e dificuldades em reter enfermeiros.
A mensagem foi escolhida pelo Conselho Internacional de Enfermeiros (ICN), que defende maior autonomia, melhores condições de trabalho e reforço do papel destes profissionais nos processos de decisão em saúde.
A propósito da data, a Ordem dos Enfermeiros sublinha que os profissionais continuam “a assegurar a prestação de cuidados à população, com resiliência e espírito de missão”, apesar das “condições pouco favoráveis” e da “enorme pressão” a que continuam sujeitos.
O alerta surge acompanhado por novos dados do ICN, que traçam um retrato preocupante da profissão à escala global. O relatório divulgado pela organização estima um défice mundial de 5,9 milhões de enfermeiros e admite que os sistemas de saúde possam necessitar de mais 30 milhões de profissionais para responder às necessidades futuras de cuidados.
Segundo o documento, o aumento das cargas de trabalho, o desgaste emocional, a precariedade e a dificuldade em garantir ambientes seguros estão a acelerar a saída de profissionais da enfermagem. Quase metade das associações nacionais de enfermagem inquiridas pelo ICN relatou um aumento significativo do abandono da profissão desde 2021.
O relatório identifica ainda sinais de perda de atratividade da carreira. Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, citados pelo ICN, mostram que o interesse pelas profissões de enfermagem diminuiu em cerca de metade dos países analisados entre 2018 e 2022.
Portugal não escapa a esta realidade. A Ordem dos Enfermeiros tem vindo a alertar para a dificuldade em reter profissionais no país, numa altura em que continuam a existir carências significativas no SNS e no setor social. Entre os principais fatores apontados estão os salários considerados pouco competitivos, os contratos temporários e a sobrecarga de trabalho.
A nível internacional, o ICN alerta também para o impacto económico da crise na enfermagem. O organismo estima que negligenciar a saúde e o bem-estar destes profissionais aumenta os custos dos sistemas de saúde, alimenta a rotatividade e compromete a qualidade dos cuidados prestados. “Investir nos enfermeiros não é apenas moralmente correto. É um imperativo económico”, defende o relatório, que sustenta que melhores condições de trabalho e retenção de profissionais podem traduzir-se em ganhos de produtividade e melhores resultados em saúde.
No âmbito do Dia Internacional do Enfermeiro, o ICN apresentou ainda uma agenda centrada em sete áreas prioritárias, entre as quais dotações seguras, remuneração justa, formação contínua, acesso a cuidados de saúde mental e criação de ambientes de trabalho mais seguros e sustentáveis.
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