D. João Lavrador desafiou finalistas do IPVC a colocarem o ser humano no centro do conhecimento 

Centenas de finalistas do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC) na Eucaristia de Bênção das Pastas, integrada na Festa de Finalistas e na Semana Académica, junto ao Santuário de Nossa Senhora D’Agonia, em Viana do Castelo. A celebração, presidida pelo Bispo diocesano, D. João Lavrador, reuniu estudantes, famílias, docentes e representantes institucionais num momento marcado por emoção, reflexão e despedida de ciclo académico.

Micaela Barbosa
18 Mai. 2026 5 mins
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Instituto Politécnico de Viana do Castelo

Na homilia, D. João Lavrador dirigiu-se aos finalistas com uma reflexão centrada na relação entre conhecimento, humanidade e responsabilidade social. Partindo da ideia de que a formação não pode ser desligada da dimensão humana, afirmou que “importa colocardes o ser humano no centro de toda a vossa atividade, olhando para ele na sua integralidade e múltiplas dimensões”, sublinhando que o saber académico deve estar ao serviço da dignidade humana e do bem comum.

O Bispo evocou ainda a tradição cristã e o pensamento de autores como S. João Paulo II para sublinhar a ligação entre fé, razão e história, defendendo que a compreensão plena da existência passa por uma visão integrada da pessoa e do mundo. “A história torna-se o lugar onde podemos constatar a ação de Deus em favor da humanidade”, referiu, acrescentando que o conhecimento humano ganha profundidade quando aberto à dimensão do sentido e da transcendência.

Num dos momentos mais marcantes, D. João Lavrador dirigiu um apelo direto aos finalistas para o futuro que agora iniciam. “O futuro abre-se para vós como missão de comunhão, de justiça, de paz e de verdadeira fraternidade”, afirmou. 

O bispo desafiou ainda os jovens a assumirem uma atitude ativa na sociedade contemporânea, lembrando que o mundo precisa de testemunhos mais do que discursos. “O testemunho é aquilo que dá credibilidade à palavra e orienta com segurança em ordem ao futuro”, defendeu, reforçando a importância da autenticidade na vida pessoal e profissional. “O homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres”, referiu, acrescentando que a coerência entre o que se diz e o que se vive é hoje um dos maiores desafios das novas gerações.

Por fim, deixou um apelo à esperança e ao compromisso social dos finalistas, inspirando-se em S. Paulo VI, Bento XVI e Papa Francisco para sublinhar a necessidade de uma “esperança ousada”, capaz de enfrentar os desafios sociais, económicos e ambientais contemporâneos. “Não tenhais medo de proclamar a Boa Nova da vida e do compromisso com os outros”, afirmou, deixando ainda uma bênção aos estudantes e às suas famílias.

Já no final da celebração, o diretor do Departamento da Pastoral do Ensino Superior de Viana do Castelo, Pe. Renato Oliveira, destacou o papel contínuo da pastoral ao longo do ano académico, sublinhando que o momento da bênção das pastas não é isolado. “Temos tertúlias, celebrações nos momentos mais fortes, um gabinete de escuta em funcionamento e iniciativas de voluntariado em preparação”, explicou, reforçando que a pastoral procura estar presente na vida quotidiana dos estudantes.

O responsável deixou ainda uma palavra de agradecimento ao Bispo pela sua presença constante junto da comunidade académica, destacando a proximidade com os estudantes e o acompanhamento do trabalho pastoral.

Em representação dos pais, uma intervenção marcada pela emoção recordou o percurso dos finalistas desde o início do curso até ao presente momento. “Ainda nos lembramos do primeiro dia de aulas, dos medos, das inseguranças, das quedas e também das conquistas”, referiu, sublinhando o orgulho no percurso dos filhos e o papel determinante das famílias. “Levamos agora o vosso futuro nas mãos de Deus. Que Ele ilumine cada escolha e vos dê coragem para enfrentar os desafios que virão”, acrescentou.

A cerimónia incluiu ainda uma intervenção de homenagem a um estudante finalista falecido durante o percurso académico, lembrado pelos colegas com emoção. “O Rafael foi mais do que um colega, foi um amigo e alguém que marcou pela sua maneira de ser”, recordou.

O presidente da Federação Académica, Tiago Melão, destacou o significado simbólico da cerimónia, descrevendo-a como “um daqueles raros instantes em que o tempo parece abrandar para nos permitir perceber a dimensão do caminho percorrido”. 

O estudante sublinhou ainda o esforço dos estudantes ao longo dos anos, lembrando “as madrugadas de estudo, os exames enfrentados com ansiedade e os desafios que exigiram mais força do que alguma vez imaginaram possuir”.

No final, lembrou que “o mundo é exigente, mas também repleto de oportunidades para quem não tem medo de trabalhar, aprender e colocar o seu talento ao serviço dos outros”.

Já a vice-presidente do IPVC, Ana Paula Vale, encerrou as intervenções com uma reflexão sobre o valor humano da experiência académica. 

Para a responsável, a pasta académica simboliza muito mais do que um diploma. “É uma espécie de livro de afetos, de memórias e de gratidão”, afirmou, destacando que cada fita representa pessoas que marcaram o percurso dos estudantes. “Hoje recebem algo ainda mais importante do que um diploma: o reconhecimento humano daqueles que caminharam convosco”, disse, sublinhando o papel das famílias, amigos e professores. 

Num apelo final aos finalistas, deixou uma mensagem de responsabilidade e humildade. “Nunca confundam competência com arrogância, nem deixem que o sucesso vos afaste da humildade”, concluiu.

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