O Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) no Alto Minho entra este verão sem reforço de meios face a 2025, num cenário em que as autoridades reconhecem limitações operacionais e insistem na prevenção como fator decisivo para reduzir o risco de incêndios.
Segundo a Proteção Civil, o dispositivo para os 10 concelhos do distrito de Viana do Castelo mantém-se estável, com 82 equipas, 404 operacionais, 94 viaturas e dois meios aéreos. “Não há reforço comparativamente ao ano anterior, estabilizámos os números”, explicou o comandante Sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Alto Minho, Marco Domingos, sublinhando que o sistema poderá ser ajustado “sempre que necessário, com o incremento da situação de risco”.
O responsável deixou, ainda assim, um aviso sobre as condições meteorológicas previstas para o verão, que considera pouco favoráveis, apelando ao comportamento da população. “É fundamental que o cidadão esteja comprometido com este desiderato”, afirmou, lembrando que muitas ignições resultam de descuidos.
Também no terreno político e autárquico a leitura é de prudência. O presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil de Viana do Castelo, Tiago Cunha, admite que o território não terá mais meios do que no ano anterior e defende uma mudança de abordagem. “Se não somos mais, temos de trabalhar melhor”, resumiu, defendendo maior interoperabilidade entre concelhos e reforço da prevenção.
No mesmo sentido, o presidente da Comunidade Intermunicipal do Alto Minho, António Barbosa, mostrou preocupação com a ausência de reforço de recursos humanos e materiais. “Só há uma forma de combater os incêndios, que é mais e melhor planeamento”, afirmou, sublinhando também a importância da vigilância e da responsabilidade individual.
Apesar da estagnação dos meios no plano regional, algumas medidas locais procuram reforçar a capacidade de prevenção. Na Serra de Santa Luzia, no concelho de Viana do Castelo, o patrulhamento militar será prolongado este ano por mais 15 dias do que o habitual.
Segundo informação da autarquia, os militares do Exército, através da Escola dos Serviços da Póvoa de Varzim, irão vigiar a serra entre 1 de junho e 30 de setembro, com uma viatura e dois militares diariamente no terreno, entre as 10h00 e as 19h00.
O objetivo, explica o município, é “assegurar o patrulhamento florestal da serra de Santa Luzia, numa perspetiva preventiva e dissuasora”, procurando reduzir o tempo de deteção e resposta a eventuais fogos.
No terreno, o dispositivo militar articula-se com a Proteção Civil e os bombeiros locais, numa lógica de prevenção ativa numa das zonas consideradas mais críticas do concelho.
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