Viana do Castelo investiga fundo do mar em campanha arqueológica subaquática 

Entre o rio Lima e o Atlântico, Viana do Castelo recebe, até 29 de maio, uma campanha arqueológica dedicada ao património marítimo e subaquático do concelho, numa área considerada “uma das mais sensíveis arqueologicamente em Portugal continental”.

Micaela Barbosa
19 Mai. 2026 2 mins

A operação, promovida pelo Património Cultural, IP e pela Câmara Municipal de Viana do Castelo, centra-se na investigação do património cultural marítimo e subaquático da região, com destaque para a sétima piroga monóxila descoberta na Ínsua, entre Mazarefes e Santa Marta de Portuzelo.

Esculpida a partir de um único tronco de árvore e com mais de cinco metros de comprimento, a embarcação é apontada como uma das peças arqueológicas mais relevantes da missão. 

O público poderá vê-la de perto no próximo dia 22 de maio, às 17h30, numa sessão em que os especialistas irão explicar os trabalhos de registo, conservação e análise. “Pretende-se aprofundar o conhecimento científico do património arqueológico marítimo e subaquático de Viana do Castelo”, refere a organização da campanha, sublinhando que o objetivo passa também pela “salvaguarda, divulgação e valorização” destes vestígios históricos.

A descoberta da primeira piroga no rio Lima aconteceu em 1985. Desde então, foram identificadas outras seis embarcações semelhantes, recolhidas entre 1985 e 2008. Em 2021, esse conjunto foi classificado como Tesouro Nacional, pelo seu “valor científico e patrimonial, sem paralelo na Península Ibérica e único em Portugal”.

Além da investigação no rio Lima, os arqueólogos querem agora confirmar e catalogar vestígios encontrados ao longo das últimas décadas ao largo da costa vianense. Entre os objetos identificados surgem âncoras, ânforas romanas, peças de artilharia e até naufrágios contemporâneos. “Há mais de 30 anos que pescadores, mariscadores, caçadores submarinos e mergulhadores reportam vestígios arqueológicos na costa de Viana do Castelo”, refere a nota divulgada pelos organizadores.

Segundo os responsáveis, existem atualmente “perto de uma centena de sítios arqueológicos, achados isolados e referências documentais” associados ao património marítimo da região, tanto no rio como no mar.

Os trabalhos decorrem em zonas como Montedor, Amorosa e Castelo de Neiva, envolvendo equipas do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS), da Unidade Orgânica de Arqueologia da autarquia e parceiros ligados ao mergulho e à proteção civil.

Os resultados preliminares da missão serão apresentados no dia 29 de maio, às 17h30, na Biblioteca Municipal de Viana do Castelo.

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