A Infraestruturas de Portugal (IP) vai investir pelo menos 810 mil euros no prolongamento das plataformas de passageiros das estações ferroviárias de Valença e São Pedro da Torre, tendo lançado recentemente o respetivo concurso público.
O anúncio, publicado em Diário da República, estabelece um prazo de execução de 240 dias, cerca de oito meses. As empresas interessadas têm até às 17h00 do dia 12 de agosto para apresentar as suas propostas.
A intervenção insere-se no plano de modernização da Linha do Minho e pretende adaptar as plataformas das duas estações aos comboios Intercidades, em conformidade com o acordo celebrado entre a Infraestruturas de Portugal (IP) e a Comboios de Portugal (CP).
Em março deste ano, o Bloco de Esquerda considerava que determinados episódios evidenciavam problemas estruturais na Linha do Minho. Segundo o partido, “nas estações a norte de Nine, os comboios Intercidades não conseguem ficar totalmente acomodados na extensão da plataforma, obrigando passageiros a deslocar-se entre carruagens ou a sair fora da zona apropriada”, e defendiam que as obras devem garantir “condições de segurança e dignidade para todos os passageiros”.
À época, passageiros de um Intercidades proveniente de Valença foram obrigados a atravessar a linha a pé para conseguir embarcar na estação de Viana do Castelo, depois de o comboio ter sido direcionado para a linha errada, bloqueando temporariamente o atravessamento destinado aos passageiros.
A Infraestruturas de Portugal explicou, na altura, que o erro foi “imediatamente identificado pelo Centro de Comando Operacional do Porto” e que o embarque decorreu “de forma absolutamente segura”, apesar do condicionamento da circulação em algumas carruagens.
Segundo uma resposta do Ministério das Infraestruturas e Habitação ao Bloco de Esquerda, estão previstas intervenções em 26 estações e apeadeiros da Linha do Minho para o prolongamento e alteamento das plataformas existentes.
O acordo estabelece que as estações servidas por comboios Intercidades passem a dispor de “plataformas com 220 metros, enquanto nas restantes a extensão mínima será de 150 metros”, aponta o Ministério.
Relativamente à estação de Viana do Castelo, o Governo sustenta que “o projeto de execução se encontra numa fase avançada de desenvolvimento. A obra deverá integrar uma intervenção mais abrangente, que incluirá trabalhos na via-férrea, catenária, sinalização e melhorias das acessibilidades ao centro comercial adjacente.”
Além de Valença e São Pedro da Torre, está prevista, para 2026, a intervenção nas estações de Barcelos e no apeadeiro de Carreira, refere o Governo.
No que toca ao próximo ano, as obras deverão abranger as estações e apeadeiros de Midões, Silva, Carapeços, Tamel, Durrães, Barroselas, Senhora das Neves, Alvarães, Darque, Areia-Darque, Areosa, Carreço, Afife, Âncora-Praia, Moledo, Senhora da Agonia, Seixas, Esqueiro, Caminha, Gondarém, Vila Nova de Cerveira e Carvalha.
A modernização da Linha do Minho representou um investimento global de 86 milhões de euros, dos quais 68 milhões foram cofinanciados pelo programa Compete 2020. A eletrificação do troço Nine-Viana do Castelo ficou concluída em 2019, com um investimento de 16 milhões de euros, enquanto a eletrificação entre Viana do Castelo e Valença foi concluída em 2021, num investimento de 18 milhões de euros.
c/Lusa
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