A I Conferência Internacional CAPACITEATRO, que se realizou na Sala Principal do Teatro Municipal Sá de Miranda, constituiu o culminar dos primeiros doze meses do projeto CAPACITEATRO, promovido pelo Teatro do Noroeste-Centro Dramático de Viana (CDV), no âmbito do Integr'Ativa'Mente, iniciativa dinamizada pela Comunidade Intermunicipal do Alto Minho (CIM Alto Minho) e financiada pelo Portugal 2030.
Segundo Ricardo Simões, diretor artístico do Teatro do Noroeste- CDV, o projeto nasceu na sequência de um “desafio” lançado pela CIM Alto Minho a três instituições do território para desenvolverem iniciativas dirigidas às populações mais vulneráveis.
Ao longo de vinte e quatro meses, o CAPACITEATRO percorreu os dez municípios do Alto Minho, realizando ações de capacitação em cada concelho. Cada sessão integrava uma componente teórica, orientada por um artista convidado, e uma componente prática de experimentação de metodologias de expressão dramática, proporcionando aos participantes ferramentas que pudessem posteriormente aplicar nos seus contextos profissionais, sobretudo junto de populações socialmente vulneráveis.
Foi concebido um percurso de capacitação destinado a agentes associativos, mediadores culturais, técnicos municipais, profissionais de IPSS e da área social, recorrendo à expressão dramática como ferramenta de intervenção comunitária.
A conferência internacional assinalou o encerramento do primeiro ano do projeto e contou com a presença de nomes de relevo das artes performativas e das práticas artísticas comunitárias. Graeme Pulleyn, artista inglês radicado em Portugal há mais de três décadas, partilhou a sua experiência enquanto ator, encenador e criador de projetos comunitários; Fran Núñez apresentou exemplos de práticas artísticas participativas desenvolvidas na Galiza; Selina Busby deu a conhecer mais de duas décadas de investigação e criação artística comunitária na Índia; e Hugo Cruz encerrou os trabalhos com uma reflexão sobre os desafios atuais das práticas artísticas participativas.
Na sua intervenção, o português, Hugo Cruz salientou que estes projetos devem ser “entendidos para além da lógica da inclusão dirigida exclusivamente a grupos específicos”, propondo uma “visão mais ampla do seu impacto na transformação das comunidades, das instituições e das próprias políticas culturais”. A participação artística constitui uma “dimensão dos direitos culturais e que a criação deve ser encarada como um espaço onde as pessoas deixam de ser apenas espectadores para assumirem um papel ativo na produção cultural”, frisou.
O criador artístico sublinhou que os processos participativos “implicam risco, abertura ao inesperado e construção coletiva”, lembrando que “um trabalho comunitário participativo é realmente uma obra em aberto”, acrescentando, ainda que, “a cultura e a arte têm muitas vezes a capacidade de chegar aos territórios onde não chega a política e onde não chegam outros serviços”, especialmente em contextos de baixa densidade.
“O balanço deste primeiro ano é claramente positivo”, afirmou o Ricardo Simões, destacando que os testemunhos recolhidos evidenciam a “utilidade das metodologias trabalhadas nas oficinas”, já adaptadas pelos participantes aos seus diferentes contextos profissionais, desde o trabalho com idosos e crianças até à intervenção junto de pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Embora reconheça que “o impacte final nas comunidades seja difícil de medir cientificamente”, o diretor artístico considera que a “capacitação dos profissionais que trabalham diariamente no terreno constitui uma forma consistente de contribuir para melhorar a qualidade da intervenção social e cultural”.
Concluída a primeira fase, o CAPACITEATRO continuará durante mais doze meses a desenvolver ações nos dez municípios do Alto Minho, consolidando o trabalho iniciado e reforçando a capacitação dos agentes do território no âmbito do Integr’Ativa’Mente.
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