“O mundo não precisa de uma inteligência artificial que diminua a humanidade”: Papa Leão XIV alerta para os riscos da IA

Foi no decorrer do 17º encontro anual da Rede Internacional de Legisladores Católicos, no Vaticano, que o Papa Leão XIV alertou para os riscos do avanço da inteligência artificial (IA) e que defendeu que a tecnologia deve ser colocada a serviço da dignidade humana e do bem comum. Regida pelo tema “Dignidade humana IA: desafios, oportunidades e controle”, a audiência sustentou-se, neste que é, para muitos, um novo desafio.

Notícias de Viana
25 Ago. 2026 3 mins

Ao falar sobre os rápidos avanços tecnológicos, o Papa afirmou que a humanidade está diante de uma questão moral que vai além daquilo que a tecnologia é capaz de fazer, acrescentando que o desenvolvimento da IA pode levar a humanidade a diferentes caminhos, tais como “construir uma nova torre de Babel, em que o poder, a eficiência e o controle obscurecem o rosto da pessoa humana; ou podemos construir uma civilização na qual a tecnologia sirva ao desenvolvimento integral de cada pessoa”.

Para o pontífice, a principal questão deve ser saber se a tecnologia está a contribuir para uma sociedade mais humana, no sentido em que será que “a tecnologia ajuda as pessoas a tornarem-se mais fraternas e responsáveis para consigo mesmas e umas para com as outras?”.

Diante desse cenário, Leão XIV defendeu que os princípios da Doutrina Social da Igreja, como “a dignidade inviolável de cada pessoa, o bem comum, a destinação universal dos bens, a subsidiariedade e a solidariedade”, devem ser utilizados como critérios para orientar o desenvolvimento da IA.

Aos legisladores, o Papa afirmou que a missão não é impedir o avanço tecnológico, mas garantir que ele aconteça de maneira responsável: “A vossa tarefa não é impedir a inovação, mas guiá-la com sabedoria”, afirmou, dado que uma boa legislação deve “incentivar a criatividade científica e tecnológica, ao mesmo tempo que salvaguarda os direitos humanos e as liberdades”, salientou.

Leão XIV defendeu, ainda, a criação de mecanismos de fiscalização e de estruturas jurídicas adequadas para acompanhar o desenvolvimento da IA, sustentando que “são necessários quadros jurídicos adequados, vigilância independente, educação dos utilizadores e uma política que não renuncie à sua missão”.

Um dos principais alertas do Papa foi relacionado com as desigualdades entre países, dado que, o rápido desenvolvimento da IA pode “criar o risco de desenvolver novas formas de dependência tecnológica”, provocando que “as nações mais pobres sejam cada vez mais dependentes das mais ricas”.

Para Leão XIV, esses fenômenos representam “uma nova face da antiga tentação do domínio e do poder sem serviço”. Como alternativa a essa lógica, o Papa apresentou a ideia de uma “civilização do amor”, inspirada nas palavras de Paulo VI: “Uma civilização que saiba guiar com sabedoria a IA, formando corações capazes de caridade, compaixão e responsabilidade”.

“Nunca deve permitir-se que a IA corroa essa célula primária da sociedade, seja reduzindo as pessoas e as relações a dados e simulações, seja inundando as mentes jovens com conteúdos que distorcem o desejo, nem mesmo com modelos económicos que tornam a vida familiar economicamente precária”, frisou o pontífice.

Para o Papa Leão XIV, uma das principais mensagens do encontro assenta em: “O mundo não precisa de uma IA que diminua a humanidade; pelo contrário, precisa de inteligência humana iluminada pela sabedoria, de autoridade política guiada pela consciência e de inovação tecnológica impelida pela caridade”. Para o Papa, somente dessa forma a IA poderá cumprir um papel positivo na sociedade.

Tags Religião

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