Falta de limpeza do espaço envolvente à APPACDM de Darque preocupa instituição

A acumulação recorrente de lixo no espaço envolvente da Unidade de Darque da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) de Viana do Castelo, voltou a gerar preocupação. Apesar de intervenções de limpeza realizadas pela Câmara Municipal e pela Junta de Freguesia, poucos dias depois os resíduos voltam a acumular-se junto às instalações, numa zona frequentada, diariamente, por pessoas com deficiência, trabalhadores, famílias e visitantes, assume a direção.

Notícias de Viana
24 Ago. 2026 3 mins

Maria Carvalho, diretora técnica da Unidade de Darque, explica que o problema não é recente. Desde que assumiu funções, em novembro de 2024, tem verificado uma situação recorrente. Durante grande parte de 2025, o espaço era limpo, em geral, “duas vezes por semana”, mas, a partir de outubro, a “frequência das intervenções diminuiu significativamente”, chegando a existir períodos superiores a “um mês sem limpeza”, salienta a responsável.

O agravamento da situação levou a APPACDM a contactar a Câmara Municipal de Viana do Castelo. Segundo a resposta recebida da vereadora Carlota Borges, “estavam em causa comportamentos inadequados de alguns inquilinos municipais”, tendo sido realizadas duas grandes limpezas e estando prevista uma terceira. A autarquia informou ainda “a intenção de melhorar as condições da urbanização e do respetivo espaço comum”, assegura Maria Carvalho. 

A última limpeza ocorreu a 7 de agosto, mas, segundo a diretora da instituição, poucos dias depois já era novamente visível lixo no local. “Isto demonstra que estamos perante um problema que não pode ser resolvido exclusivamente através de limpezas pontuais. É necessário existir acompanhamento, prevenção, sensibilização e, sempre que necessário, responsabilização de quem deposita os resíduos de forma inadequada”, afirma.

Entre os resíduos acumulados encontram-se plásticos, papéis, embalagens, garrafas e vidros partidos, situação que preocupa particularmente a instituição, dado que para a instituição “é fundamental garantir aos nossos utentes um ambiente digno, seguro, cuidado e inclusivo, tanto no interior da instituição como na sua envolvente”, sublinha a diretora técnica.

Também o presidente da Junta de Freguesia de Darque, Paulo Taborda, reconhece a gravidade da situação. “O bairro 3 de Julho tem problemas que a Junta não pode ignorar, relativamente à higiene urbana e ao estacionamento abusivo, situações que afetam os moradores e a própria instituição APPACDM de uma forma muito gravosa”, assume o presidente.

O autarca garante que tem procurado pressionar as entidades competentes para intervir. 

Para Paulo Taborda, o problema ultrapassa a questão da limpeza: “Isto também, estamos aqui a falar de uma dimensão social, de uma educação, de uma integração, de cultura”, defendendo uma intervenção que combine sensibilização e responsabilização, assente em “primeiro sensibilizar, educar, mas depois também, caso não aconteça, atuar, até porque somos todos iguais”. 

“É feita uma intervenção, aquilo fica limpinho e no dia seguinte, em dois dias e três, já está tudo degradado. E isto é de uma forma constante e regular”, aponta o presidente da Junta. 

Com apenas quatro trabalhadores para assegurar a limpeza de 282 ruas, a Junta diz não ter capacidade para assumir sozinha uma intervenção regular no bairro, apontando que a solução terá de resultar de uma ação conjunta entre Câmara, Junta, moradores e outras entidades.

A APPACDM garante estar disponível para colaborar e reforça que o objetivo da exposição pública do problema não é criar um conflito com as entidades locais, mas conseguir uma solução duradoura. “Não pedimos privilégios. Pedimos respeito, dignidade e condições adequadas para todos”, reforça a associação. 

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