200 Anos de Romaria… e Muito Mais!

Carlos Costa
13 Ago. 2026 4 mins
Carlos Costa

A vila de Ponte de Lima celebra este ano os 200 anos da romaria das Feiras Novas. Motivo mais que suficiente para reservar na sua agenda os próximos dias 9 a 14 de setembro para celebrar a mais importante festa desta vila minhota.

Com efeito, as Feiras Novas celebram este ano o seu bicentenário – foram instituídas por provisão de D. Pedro IV, em 5 de maio de 1826, que autorizava três grandes dias de Feira, por ocasião das festas em honra de Nossa Senhora das Dores, celebrada a 15 de setembro, data fixada pelo Papa Pio X, para recordar as sete dores da Virgem Maria ao longo da sua vida terrena e junto à cruz de Jesus.

As Feiras Novas marcam o encerramento anual das grandes romarias da região, tendo sido rotuladas pela organização como “a mais antiga Romaria Minhota”. Vamos lá criar aqui um pouco de controvérsia com Barcelos, que reclama mais de 500 anos de história da romaria da Festa das Cruzes, e com Viana do Castelo, que reclama a sua romaria de Nossa Senhora da Agonia desde 1783. Acho fantástico e saudável este tipo de rivalidade; permite que os romeiros pesquisem e se interessem um pouco mais pela história das suas romarias preferidas!

Mas para quem não é desta região, e para quem não visita Ponte de Lima com tanta frequência, eu sugeria que, para além das Feiras Novas, reservassem um ou dois para vivenciar a cultura – histórica ou contemporânea – da mais antiga vila de Portugal (aqui entre nós, outro rótulo polémico!).

A minha primeira sugestão vai para o Festival dos Jardins. Na sua 21ª edição, está subordinado ao tema “Jardins de Sonho”. Penso que não falhei nenhuma edição. Como dizemos aqui por casa, ir ao Festival de Jardins, “é de lei!”. Mas importa explicar um pouco o que é este Festival, para quem nunca ouviu falar. É um evento sazonal, que decorre entre maio e outubro, reunindo conceituados artistas e arquitetos paisagistas de todo o mundo. Os projetos são selecionados por concurso internacional, sendo todos os anos exibidos 12 jardins criativos: o vencedor do ano anterior e 11 novos jardins. O certame recebe todos os anos milhares de visitantes, sendo uma das referências nacionais ao nível da criação artística e valorização ambiental. Para compreendermos um pouco melhor a qualidade deste certame, posso referir que, em 2013, foi o grande vencedor mundial do prémio Garden Tourism Awards, no Canadá.

A minha segunda sugestão vai para o novo foco de interesse, mas também de discórdia, da vila de Ponte de Lima: o Parque Fernando Calheiro de Barros. Por ocasião da celebração dos 25 anos da Área Protegida das Lagoas de Bertiandos e S. Pedro de Arcos foi construída, pelo artista Bordalo II, uma colorida rã com sete metros de altura. Inserida no projeto de ampliação e remodelação deste parque público, a escultura impressiona pela sua dimensão e pela sua capacidade de confrontar o visitante. Na minha opinião, toda a região do Alto Minho necessita de mais “rãs gigantes”. Necessita de obras emblemáticas, marcantes, imponentes e que mexam com o intelecto das populações. Se esta obra conseguiu ser polémica, então para mim, é porque está perfeita.

A minha última sugestão é gastronómica. Na minha opinião, durante os dias de festas e romarias, não dá para vivenciar com todo o seu merecimento, a verdadeira gastronomia minhota. Nestes dias, as refeições são servidas com pressa, são mais dispendiosas e, por vezes, até mal confecionadas. O mais certo mesmo é acabarmos a comer um kebab ou um cachorro numa rulote. Portanto, nestes dias de passeio mais calmo, reserve bons restaurantes na vila e deixa-se guiar pelas sugestões gastronómicas da nossa região! Boas romarias, boas férias e bons passeios!

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