D. João Lavrador, bispo diocesano, presidiu à Eucaristia e à tradicional Procissão ao Mar, momento central da ligação entre a devoção a Nossa Senhora d’ Agonia e as comunidades ligadas ao mar. A tradição da procissão ao mar expressa uma devoção dos pescadores que remonta ao século XVIII e que, desde 1968, se realiza com barcos no mar.
O prelado colocou os pescadores, o sofrimento humano e a esperança sob a proteção de Nossa Senhora d’ Agonia, durante o sermão proferido na Doca de Viana do Castelo. “Ano após ano, aqui nos encontramos à volta de Nossa Senhora” afirmou o bispo, recordando a ligação de Nossa Senhora ao sofrimento humano através da paixão e morte de Cristo: “Nossa Senhora d’ Agonia, que se une, ela própria, ao caminho da entrega do seu próprio Filho, o caminho da paixão, mas, ao mesmo tempo, o povo de Deus sempre reconheceu que em Maria também se espelhava e acolhia o que é o sofrimento humano”.
Perante a imagem de Nossa Senhora d’ Agonia, D. João Lavrador convidou os fiéis a colocarem nas suas mãos as dificuldades, as inquietações e os sonhos que tantas vezes ficam por concretizar. A mensagem do bispo dirigiu-se de forma particular aos pescadores, cuja atividade e persistência apresentou como uma verdadeira lição para a sociedade e para a própria vivência da fé.
“Vós, pescadores, sois aqueles que, com a vossa atividade, com a vossa persistência, nos ajudais a ler os caminhos da vida, seja trilhando os caminhos da fé ou, pura e simplesmente, desafiando os nossos comportamentos na sociedade atual” realçou o prelado,acrescentando que “Vós, pescadores, vocês têm tantas vezes que não pescam nada, ou que até pescais pouco. Então a pergunta que nós fazemos: qual é a lição que nos dais quando, deste cais, no dia seguinte ou na noite seguinte, partis outra vez para o mar? É a mesma existência.”
D. João Lavrador recorreu ainda à imagem da barca para falar da Igreja, da comunidade e da sociedade, sublinhando que Cristo não se coloca à margem da realidade humana, mas no seu interior. A partir do episódio evangélico da pesca milagrosa, o bispo destacou a importância da confiança na palavra de Cristo, recordando a experiência de Pedro perante o fracasso. “Pedro também não sabia. Pedro também não a tinha. Só a teve quando, do nada, que não tinha nada pescado, depois, confiando naquela palavra, na palavra do amor, na palavra da fraternidade, na palavra capaz de reconstruir toda a existência humana, ele próprio se sentiu na sua pequenez”, descreveu D. João Lavrador.
“Queremos contar convosco, que vos tendes todos os dias em realizar nesta fé simples, nesta fé muitas vezes escondida, mas que está em vós e que gera confiança e que gera uma estima mútua e que gera este sentido de ir ao encontro deste mar e reconhecer que quem vos acompanha é, sem dúvida, Nossa Senhora” salientou o bispo diocesando, de forma a valorizar a fé dos pescadores, muitas vezes simples e discreta, mas capaz de alimentar a confiança e a solidariedade entre aqueles que diariamente enfrentam o mar.
A proteção de Nossa Senhora d’ Agonia esteve, por isso, no centro da oração pelos pescadores e por todos os que dependem do mar. “Que Nossa Senhora da Agonia, que todos os santos e cristãos ligados a vós, caros pescadores, vos façam ir e vos façam voltar e que vos façam saborear no amor a abundância”, afirmou D. João Lavrador.
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