Memória, tradição e identidade vianense em exposição na Galeria Barca d’Artes

A Galeria Barca d’Artes acolhe, até dia 23 de agosto, a exposição “Tone, Gigantones e Cabeçudos”, uma amostra que cruza literatura, ilustração e tradição popular vianense, a partir do livro Tone, O Gigantone, de Ivone Rego. A exposição reúne diferentes formas de contar e preservar a memória da Romaria da Senhora d’Agonia, aproximando-a também das novas gerações.

Notícias de Viana
21 Ago. 2026 3 mins

Para Ivone Rego, autora do livro, a ligação à tradição começou cedo; “Desde muito jovem que participo na Romaria; entrei para um grupo folclórico com 11 anos”, recordou. O contacto continuado com as tradições e com as memórias de Viana do Castelo acabou por dar origem à história: “Esta semente ficou e decidi escrever uma história”. 

O livro nasceu, assim, da vontade de transmitir às crianças a importância e a singularidade da Romaria. “Através desta vontade, quis contar às crianças aquilo que também, aos meus olhos, é a Romaria da Senhora d’Agonia: os momentos altos, as particularidades, aquilo que torna essa Romaria única”, explicou a autora.

A dimensão visual da obra ficou a cargo da ilustradora Sara Costa, que destaca a responsabilidade de representar uma tradição que, embora possa ser reinterpretada através do desenho, deve manter a sua identidade: “É importante ter muito cuidado com a forma como tudo se representa; existem determinadas normas, apesar do desenho não ser realista, para que a transmissão da tradição seja realista”, afirmou.

Para Sara Costa, o projeto assume, também, uma importante função na transmissão da memória às crianças, dado que “está a dar a conhecer estes momentos, que todos já conhecem, a uma nova geração, que se calhar, ainda não os conhece”, sublinhou, acrescentando que a própria história “conta, também, um pouco da história das festas”.

A exposição apresenta, ainda, peças de Francisco Cruz, artista responsável pela criação dos gigantones e cabeçudos expostos. O seu trabalho está profundamente ligado à preservação desta tradição, que desenvolve há várias décadas. “Os trabalhos dos cabeçudos são trabalhos que eu desenvolvo já há 30 e tal anos; desde que consegui trabalhar, fui desenvolvendo este trabalho e mantendo esta tradição”, explicou.

Entre as peças apresentadas encontram-se gigantones de menores dimensões, pensados para serem transportados pelas faixas etárias mais jovens. Francisco Cruz explica que “estes gigantones são particulares, porque são mais pequenos que os de 3 metros da nossa entrada”, acrescentando que “são feitos para crianças ou jovens poderem levar”.

A exposição “Tone, Gigantones e Cabeçudos” apresenta-se, assim, como um encontro entre diferentes gerações e formas de preservar a cultura local. Nas palavras de Ivone Rego, é uma viagem “da memória, da tradição, e, essencialmente, deste orgulho de sermos vianenses, de identidade vianense, da cultura vianense”, reforçando a importância de manter viva uma herança que continua a fazer parte da identidade de Viana do Castelo.

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