A Galeria Barca d’Artes acolhe até dia 23 de agosto a exposição “Tone, Gigantones e Cabeçudos”, uma amostra que cruza literatura, ilustração e tradição popular vianense, a partir do livro Tone, O Gigantone, de Ivone Rego. A exposição reúne diferentes formas de contar e preservar a memória da Romaria da Senhora d’Agonia, aproximando-a também das novas gerações.
Para Ivone Rego, autora do livro, a ligação à tradição começou cedo, “desde muito jovem que participo na Romaria, entrei para um grupo folclórico com 11 anos”, recordou. O contacto continuado com as tradições e com as memórias de Viana do Castelo acabou por dar origem à história: “Esta semente ficou e decidi escrever uma história”.
O livro nasceu, assim, da vontade de transmitir às crianças a importância e a singularidade da Romaria. “Através desta vontade quis contar às crianças aquilo que também aos meus olhos é a Romaria da Senhora d’Agonia: os momentos altos, as particularidades, aquilo que torna essa Romaria única”, explicou a autora.
A dimensão visual da obra ficou a cargo da ilustradora Sara Costa, que destaca a responsabilidade de representar uma tradição que, embora possa ser reinterpretada através do desenho, deve manter a sua identidade: “É importante ter muito cuidado com a forma como tudo se representa, existem determinadas normas, apesar do desenho não ser realista, para que a transmissão da tradição seja realista”, afirmou.
Para Sara Costa o projeto assume, também, uma importante função na transmissão da memória às crianças, dado que “estão a dar a conhecer estes momentos que vocês já conhecem a uma nova geração que se calhar ainda não os conhece”, sublinhou, acrescentando que a própria história “conta também um pouco da história das festas”.
A exposição apresenta ainda peças de Francisco Cruz, artista responsável pela criação dos gigantones e cabeçudos expostos. O seu trabalho está, profundamente, ligado à preservação desta tradição, que desenvolve há várias décadas. “Os trabalhos dos cabeçudos são trabalhos que eu desenvolvo já há 30 e tal anos, desde que consegui trabalhar, fui desenvolvendo este trabalho e mantendo esta tradição”, explicou.
Entre as peças apresentadas encontram-se gigantones de menores dimensões, pensados para serem transportados pelas faixas etárias mais jovens. Francisco Cruz explica que “estes gigantones são particulares porque são mais pequenos que os de 3 metros da nossa entrada”, acrescentando que “são feitos para crianças ou jovens poderem levar”.
A exposição “Tone, Gigantones e Cabeçudos” apresenta-se, assim, como um encontro entre diferentes gerações e formas de preservar a cultura local. Nas palavras de Ivone Rego, é uma viagem “da memória, da tradição, e essencialmente, deste orgulho de sermos vianenses, de identidade vianense, da cultura vianense”, reforçando a importância de manter viva uma herança que continua a fazer parte da identidade de Viana do Castelo.
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