Chamado ao Consultório: Perto da água, nunca baixe a guarda

Maria Luís Cambão
27 Jul. 2026 3 mins

Com a chegada do verão, as praias, piscinas, rios e barragens tornam-se locais privilegiados de lazer para milhares de famílias. No entanto, onde há água, existe  também um dos maiores riscos para as nossas crianças e jovens: o afogamento.

Em Portugal, o afogamento continua a ser a segunda causa de morte acidental em crianças e jovens, tendo sido, em 2024, oito o número de mortes por esta causa.

Ao contrário da imagem transmitida pelos filmes, o afogamento raramente é dramático  ou ruidoso. Não há gritos, nem pedidos de ajuda. Vinte segundos são suficientes para uma criança se afogar, de forma silenciosa, enquanto os adultos acreditam que está simplesmente a brincar. E é precisamente esta característica que torna o afogamento um dos acidentes mais traiçoeiros da infância.

Um dos maiores mitos é pensar que o perigo existe apenas no mar ou em piscinas  profundas. Na realidade, uma criança pequena pode afogar-se em apenas alguns centímetros de água. Baldes, tanques, piscinas insufláveis, banheiras ou pequenos reservatórios representam riscos reais, especialmente nos primeiros anos de vida.

As crianças mais pequenas são naturalmente curiosas, imprevisíveis e incapazes de reconhecer o perigo. Mas é aqui que os adultos entram. Existe uma regra simples que salva vidas: quando uma criança está perto da água, deve existir um adulto exclusivamente dedicado à sua vigilância. Deixe sempre claro quem é esse adulto. Isto significa não estar ao telemóvel, não ler um livro, não preparar refeições, não conversar longamente com outras pessoas. A vigilância deve ser permanente, próxima e ativa, mantendo a criança sempre ao alcance de um braço.

Lembre-se sempre que os acidentes acontecem, mas muitos (quase todos!) podem ser evitados. Para isso, há alguns cuidados a ter, como, por exemplo, despejar toda a água de baldes, alguidares, banheiras e pequenas piscinas, logo após a sua utilização, tapar os poços com uma tampa sólida e com cadeado, vestir coletes de natação ou braçadeiras às crianças que ainda não sabem nadar bem, mas não esquecendo que estes não substituem, em circunstância alguma, a supervisão de um adulto, usar colete salva-vidas em todas as atividades aquáticas, ensinar as crianças a nadar, mas explicando-lhes que nunca devem nadar sozinhas, afastar-se das margens ou mergulhar em pontões ou em  zonas cuja profundidade desconhecem, pois podem existir rochas submersas ou desníveis. É ainda fundamental, sempre que possível, vedar as piscinas particulares com  uma vedação completa, com portão de fecho automático. Grande parte dos  afogamentos ocorre em piscinas particulares, em momentos em que ninguém espera que a criança tenha acesso à água.

A prevenção é essencial. Conversar sobre segurança na água, estabelecer regras claras e dar o exemplo é imprescindível. A mensagem é simples e deve ser repetida: perto da água, a vigilância ativa salva vidas. Desfrute da praia, da piscina ou do rio com tranquilidade, mas nunca baixe a guarda. Olhos sempre nas crianças. Porque quando  falamos de crianças e água, um segundo pode fazer toda a diferença. A segurança não tira férias.

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