“Viagem Partilhada” leva universo de emoções e interrogações de José Alberto Mar a Ponte da Barca

Entre a pintura, a palavra e o pensamento, a exposição “Viagem Partilhada”, de José Alberto Mar, abriu ao público nos Paços do Concelho de Ponte da Barca, cujas “composições se estruturam a partir de uma linguagem criptografada, em que signos e sinais se dispõem segundo uma lógica interna que escapa à leitura imediata, exigindo do observador um exercício interpretativo sustentado”, descreve o artista.

Catarina Faria
6 Out. 2026 3 mins

A mostra reúne 38 obras de pintura, de diferentes dimensões e suportes, e propõe um percurso pelo universo criativo do artista, marcado pela experimentação, pela reflexão e pela procura de novas formas de expressão.

Com curadoria e projeto de Rosalina Santos e Jorge Santos, “Viagem Partilhada” explora sobretudo, a relação entre a imagem, o pensamento e a interpretação de cada espectador. Para José Alberto Mar, as obras procuram transmitir “um universo de questões, acerca de temas considerados universais, emoções e sentimentos, assim como subtis mensagens e conceitos”.

Entre os temas que atravessam o seu trabalho encontram-se questões ontológicas, a Natureza e a dimensão cósmica, bem como reflexões suscitadas por descobertas científicas recentes, como a física quântica. De certa forma, “a Natureza, na sua dimensão mais lata e específica, [é] um leque de fascínio, admiração e motivação para a descoberta, em que a dimensão cósmica ocupa um lugar relevante como motivo de deslumbramento e uma miríade de interrogações”, explica o autor.

Apesar de o percurso artístico de José Alberto Mar incluir, também, trabalhos de poesia visual e arte digital, o artista esclarece que essas linguagens não estão presentes na atual exposição, constituída exclusivamente por pintura. “Poesia visual” e “arte digital” surgiram, segundo o próprio, como “ramos da mesma árvore”, integrando diferentes momentos da sua investigação no campo das artes visuais.

A relação entre a imagem e a palavra continua, contudo, a marcar o seu trabalho, assumindo que “são dois campos essenciais do trabalho”, ma que “existe, inevitavelmente, uma espécie de vaso comunicante entre eles”, afirma. Os títulos das obras funcionam, muitas vezes, como uma espécie de orientação para quem observa: “apenas obedeço a uma necessidade de propor uma pista, uma incerta motivação, um pretexto para a ‘leitura’ da obra”.

A interpretação, porém, permanece aberta. José Alberto Mar defende que “toda a arte, como se sabe, ultrapassa as fronteiras do consciente” e que o espectador tem “a liberdade de ‘ver e sentir’ à sua maneira”. Uma liberdade que considera parte essencial da relação entre a obra e quem a observa.

A presença da exposição em Ponte da Barca surgiu na sequência de um convite da curadora Rosalina Santos, que tem desenvolvido iniciativas culturais nos Paços do Concelho. O convite permitiu, assim, ao artista conhecer uma zona do território minhoto que ainda não tinha visitado. “Sou um apaixonado pelo Minho, mas desconhecia estes locais”, confessa. A passagem por Ponte da Barca permitiu-lhe, segundo relata, “confirmar e reforçar” essa ligação à região, que descreve como um território de grande riqueza paisagística. “Regressei inebriado com a região de Portugal que, para além de outros bons e belos atributos, contém a maior variedade de tons verdes”, afirma.

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