PSD pede à Câmara de Viana do Castelo preparação antecipada para a “Lei do Lobby”. Mas de que trata esta lei?

A entrada em vigor da chamada “Lei do Lobby” deverá obrigar os municípios a reforçar a transparência sobre as reuniões que mantêm com representantes de interesses. Apesar de o novo regime só se aplicar às autarquias a partir de 1 de junho de 2027, a “preparação dos procedimentos pode começar desde já”, defendeu Paulo de Morais, da bancada do PSD, na última reunião do Executivo municipal de Viana do Castelo.

Notícias de Viana
18 Set. 2026 2 mins

A lei estabelece regras de transparência para a representação legítima de interesses junto de entidades públicas e cria o Registo de Transparência de Representação de Interesses (RTRI). O objetivo passa por tornar mais “transparente a interação entre entidades privadas e responsáveis públicos”, nomeadamente através do “registo e publicitação das audiências abrangidas pelo regime”, lê-se em Diário da República. 

Na reunião, o PSD defendeu que o presidente da Câmara deve “iniciar os procedimentos necessários” à implementação da nova legislação no município e nos organismos dele dependentes.

A partir de junho de 2027, os municípios terão de assegurar o “registo e publicitação de audiências por si concedidas”, incluindo a identificação das entidades envolvidas e o objeto das reuniões. A medida abrange, entre outros responsáveis, presidentes de Câmara e vereadores.

O RTRI deverá entrar em pleno funcionamento a 1 de janeiro de 2027, enquanto a aplicação das regras aos municípios está prevista para cinco meses depois. Até lá, as autarquias poderão preparar os procedimentos internos necessários para identificar as audiências abrangidas, definir a informação a recolher e estabelecer os mecanismos de publicitação.

Na prática, o novo regime permitirá tornar público quem teve uma audiência com responsáveis municipais e qual foi o assunto tratado, reforçando o escrutínio sobre as relações entre o poder local e empresas, associações ou outros grupos que procuram defender determinados interesses.

O regime não significa, contudo, que todas as conversas entre cidadãos e políticos tenham de ser registadas, aplicando-se apenas às interações abrangidas pelas regras de representação de interesses previstas na lei.

Luís Nobre, autarca vianense, garantiu que a Câmara poderá utilizar os próximos meses para “adaptar procedimentos” e “garantir que o novo sistema esteja preparado quando o regime entrar efetivamente em aplicação”.

Tags Política

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