Os Estaleiros Navais de Viana do Castelo dispõe de uma nova doca seca, resultado de um investimento superior a 24 milhões de euros da WestSea, empresa detida pela Martifer. A nova infraestrutura pretende reforçar a capacidade de construção e reparação naval do estaleiro, permitindo acolher embarcações de maiores dimensões e aumentar a competitividade da unidade.
O investimento, anunciado em abril de 2024, acabou por ultrapassar o prazo inicialmente previsto, tendo demorado mais de dois anos a ser concretizado na totalidade. A conclusão estava inicialmente apontada para o final de 2025, mas o calendário acabou por se prolongar até 2026.
A Doca Seca n.º 3 iniciou a sua operação com a entrada do SEFU, navio de cruzeiro de luxo em estilo iate, que está a ser construído pela WestSea, para a japonesa R Yacht, do grupo Ryobi Holdings, previsto para entrar ao serviço em 2027, sendo a primeira construção a utilizar a nova infraestrutura. Com 117,3 metros de comprimento, 9.259 GT e um calado de 4,65 metros, a chegada da embarcação concretiza o primeiro passo de uma nova fase para os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, agora dotados de maior capacidade para responder a projetos de maior dimensão.
A construção da doca estava prevista no âmbito do Terceiro Aditamento ao Contrato de Subconcessão e permite reforçar as condições existentes nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo para operações de construção e reparação naval.
A Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) classifica a nova infraestrutura como um “importante reforço da capacidade dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo”, abrindo caminho a operações de maior escala e complexidade e reforçando a capacidade de resposta do estaleiro.
A entrada em funcionamento da doca eleva também o papel do Porto de Viana do Castelo no apoio à indústria naval. Para a APDL, a nova valência acrescenta dimensão e competitividade à infraestrutura portuária, consolidando a sua posição como um ponto estratégico para a atividade marítimo-portuária e para o setor naval.
A par deste investimento, está também prevista uma intervenção noutra área sob alçada da APDL, já anunciada em julho, que prevê um investimento de 3,5 milhões de euros, ao longo de três anos, por parte de um grupo de investidores de Viana do Castelo. O projeto contempla a requalificação de três marinas e a construção de um novo campus de padel, reforçando a oferta náutica e desportiva da cidade.
Selecionado na sequência de um concurso público lançado pela APDL em 2025, o projeto pretende desbloquear um processo que se arrastava há cerca de duas décadas, marcado por sucessivos processos judiciais relacionados com as propostas apresentadas a concurso.
Com conclusão prevista para 2029, a intervenção deverá criar 16 novos postos de trabalho e contribuir para dinamizar a atividade náutica, desportiva e económica de Viana do Castelo, acrescentando uma nova valência à frente marítima da cidade e reforçando a sua capacidade de atração.
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