Bispo de Viana do Castelo apela à renovação da Igreja e alerta contra uma comunidade “museu”

O Bispo de Viana do Castelo, D. João Lavrador apelou à renovação da Igreja e a uma maior abertura à novidade, defendendo que as comunidades cristãs não podem limitar-se a repetir práticas do passado, apontou durante a Eucaristia da Festa da Natividade de Maria, celebrada na Senhora da Peneda, em Arcos de Valdevez, momento que encerrou a novena mais aguardada do ano da região.

Notícias de Viana
8 Set. 2026 3 mins

Na homilia, o Bispo alertou para os riscos de uma vivência rotineira da fé e afirmou que a Igreja deve estar permanentemente aberta à ação do Espírito, não permitindo que “se continue, de maneira rotineira, a fazer o que fizemos há 20 anos”, acrescentando que os cristãos não devem “ser apenas executores daquilo que vem do passado, por muito bom que seja”, dado que isso é “não responder à ação do Espírito”.

O prelado recuperou, ainda, uma expressão do Papa Francisco para sublinhar a necessidade de mudança dentro das comunidades cristãs: “Quem se limitar a fazer isto está a fazer da Igreja ou da comunidade cristã um museu”, afirmou, completando que, ao contrário de um museu, em que “encontramos lá sempre as mesmas peças”, “a vida é outra coisa, e a Igreja é a vida, a comunidade é a vida”.

A necessidade de renovação esteve no centro da reflexão, com o Bispo diocesano a defender que a fé cristã deve ser vivida a partir da novidade e do amor. 

“A novidade está no amor. Nós precisamos contemplar o nascimento do Nosso Senhor, de sermos provocados, desafiados a integrar uma comunidade cristã e a integrá-la dentro desta perspetiva de renovação”, afirmou o prelado.

A encarnação de Cristo foi apresentada como expressão dessa novidade, ao assumir a humanidade e a história para as transformar: “A encarnação de Jesus é, naturalmente, assumir a nossa humanidade. É assumir a história. Mas é assumi-la para uma novidade, em que tudo é novo”, declarou.

A reflexão passou, também, pela figura de Maria, cuja humildade foi apontada como exemplo da forma como Deus se manifesta, através da “sua grandeza”, mas “a partir da sua pequenez” e da “sua humildade e simplicidade”. Que é encontrada em Maria, sustenta D. João Lavrador. 

Para o Bispo, a abertura à novidade implica também uma transformação pessoal e comunitária, assente no amor, dado que “o amor é a relação e o amor é a entrega”. “Claro que tem em si também o sentido de uma conversão, em que se converte tudo na nossa vida, desde os pensamentos e as opiniões, até aderir à verdade”, sustentou.

A celebração da Natividade de Maria, na Senhora da Peneda, marcou assim o encerramento da novena, com uma mensagem centrada na renovação da Igreja, na abertura à ação do Espírito e na necessidade de uma fé vivida através do amor, da comunidade e da transformação pessoal.

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