CIM Alto Minho define obras prioritárias para travar “atraso” nas acessibilidades

Na mais recente reunião da Comunidade Intermunicipal do Alto Minho (CIM Alto Minho), a mobilidade, indissociável da melhoria das acessibilidades, voltou a assumir um lugar de destaque na agenda regional. Apontada há largos anos como uma das principais fragilidades estruturais do distrito, a questão das acessibilidades é, segundo a CIM Alto Minho, um constrangimento que importa “ultrapassar o quanto antes”.

Notícias de Viana
8 Set. 2026 4 mins

Neste contexto, o organismo intermunicipal apresentou um documento que reúne um conjunto de intervenções consideradas prioritárias para a região, entre obras, projetos e estudos, enquadrados num investimento global de 300 milhões de euros. A estratégia pretende dar resposta a alguns dos principais estrangulamentos da rede viária e reforçar a conectividade do Alto Minho, tanto no plano interno como nas ligações ao exterior.

Em representação dos dez concelhos do distrito de Viana do Castelo, o documento parte do princípio de que “as acessibilidades respondam às necessidades dos territórios”, defende o presidente da CIM Alto Minho e autarca de Monção, António Barbosa. O responsável sublinha que “os autarcas do Alto Minho têm trabalhado ao longo dos anos para colocar a região no mapa”, mas reconhece que, apesar desse esforço, “as acessibilidades não acompanham” o desenvolvimento e as necessidades do território. 

Para o responsável, a CIM Alto Minho “deve ter um papel muito mais do que para fundos”, assumindo-se como uma estrutura capaz de “unir-se pelos interesses dos territórios” e de defender, de forma concertada, as necessidades da região.

É nesse sentido que a CIM Alto Minho pretende, através deste documento, reivindicar apoios e financiamento para a concretização das intervenções identificadas como “estruturantes e prioritárias de carácter urgente”, bem como assegurar o avanço dos respetivos estudos e projetos considerados fundamentais para o futuro das acessibilidades na região.

Entre as intervenções identificadas como “estruturantes e prioritárias de carácter urgente” está o Eixo do Vale do Minho, que prevê a construção da Variante de Valença/Monção/Melgaço até Salvaterra/Neves, incluindo uma nova ligação internacional à A52, a cerca de 300 metros do rio Minho, bem como o prolongamento da A28 entre Vila Nova de Cerveira e o nó de Sapardos, ou, em alternativa, até à futura variante em Valença, dependendo da solução que resultar dos estudos técnicos.

A lista inclui, ainda, o Eixo do Vale do Lima, com a ligação à fronteira da Madalena (IC28), através da requalificação da EN203 e da EN304-1, entre Ponte da Barca e Lindoso. A intervenção deverá, segundo o documento, salvaguardar os valores ambientais do Parque Nacional da Peneda-Gerês e contribuir para reduzir o tempo de acesso a Ourense.

A Variante de Ponte de Lima surge igualmente entre as prioridades, sendo apontada como essencial para dar resposta aos atuais estrangulamentos de tráfego no concelho. Já no litoral, a CIM Alto Minho defende o reforço da qualificação do Porto de Mar de Viana do Castelo enquanto polo exportador, através da criação de uma ligação ferroviária direta.

Para além das obras consideradas de execução urgente, o documento elenca um conjunto de estudos, projetos e trabalhos preparatórios que a CIM Alto Minho considera fundamentais para o reforço da coesão territorial e da mobilidade regional.

Entre estes está o avanço dos estudos para uma nova travessia do rio Minho, através de uma ponte transfronteiriça entre Caminha e La Guardia, na zona de Seixas. São também apontadas como prioritárias as ligações rodoviárias interiores do Alto Minho, nomeadamente a requalificação e correção do traçado da EN101, entre Arcos de Valdevez e Monção, e a definição de uma solução para os estrangulamentos existentes no eixo que liga Paredes de Coura a Ponte de Lima (EN306), Arcos de Valdevez (EN303) e Monção (EN301).

Por fim, a CIM Alto Minho pretende estudar uma nova ligação rodoviária à A28, no concelho de Viana do Castelo, numa localização a definir a norte da cidade, tendo por base as soluções que venham a resultar dos estudos prévios.

Para António Barbosa, estes investimentos constituem peças fundamentais para reforçar a capacidade do Alto Minho em atrair e fixar atividade económica e emprego, contribuindo para “travar o atraso que tem vindo a afetar a região”. O presidente da CIM Alto Minho sublinha, ainda, a importância de uma estratégia concertada entre os dez municípios, procurando ultrapassar uma lógica de intervenção isolada.

Através desta cooperação, pretende-se, assim, deixar de “fazer investimentos por separado” e passar a articular prioridades e respostas em torno de um problema que, segundo o responsável, é comum a todo o território.

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