A Associação de Futebol de Viana do Castelo (AFVC) assinalou o Dia Internacional da Juventude com uma iniciativa de futebol de rua no Jardim da Marina, em Viana do Castelo. O momento juntou crianças e jovens numa manhã dedicada ao desporto, ao convívio e, sobretudo, ao prazer de brincar e jogar à bola.
A iniciativa serviu também para formalizar uma nova parceria para a época desportiva 2026/2027, com a Blisq, que será patrocinadora oficial das Concentrações de Petizes e Traquinas.
O presidente da AFVC, Ricardo Felgueiras, defendeu que os escalões mais baixos devem ser encarados como uma fase de desenvolvimento e descoberta, sem a pressão dos resultados ou da competição.“O que pretendemos é voltar a trazer para a rua os meninos e as meninas para se divertirem, para correrem, para saltarem”, frisou o responsável.
Para o dirigente, nos escalões de sub-7 e sub-9 deve prevalecer o desenvolvimento das capacidades motoras, o brincar e o prazer de participar. “São escalões nos quais a pressão não deve existir, a competição não deve existir e o resultado não deve existir”, sublinhou o presidente.
As concentrações promovidas pela AFVC envolvem cerca de 100 crianças em cada jornada, representando, segundo Ricardo Felgueiras, entre 500 e 600 jovens em movimento ao longo de um fim de semana.
A estratégia passa por aproximar as atividades das famílias, através de uma organização territorial dividida pelos concelhos do distrito, promovendo desta forma, que as concentrações vão rodando por diferentes municípios, evitando deslocações demasiado longas.
A associação procura ainda criar ambientes de festa em cada concentração, assegurando balizas, equipamentos, lanches e outras dinâmicas destinadas a proporcionar uma experiência positiva às crianças.
O objetivo é simples: que “saiam do campo felizes e com vontade de regressar”. “Pai, ou mãe, eu domingo quero voltar”, é precisamente a reação que Ricardo Felgueiras diz querer ouvir das crianças depois das atividades.
A AFVC pretende, através deste modelo, aumentar o número de crianças envolvidas na prática desportiva. O dirigente considera que a aposta deve começar nos escalões mais baixos, numa altura em que ainda é possível criar hábitos de atividade física e gosto pelo desporto. “É aqui que a gente tem que apostar”, afirmou Ricardo Felgueiras, defendendo uma nova forma de olhar para o futebol infantil, mais próxima do simples “jogar à bola” e menos centrada na competição.
Para o responsável, até uma simples bola pode ser suficiente para estimular o movimento, a criatividade e a interação entre crianças.
O presidente da AFVC deixou, também, críticas à pressão exercida por alguns pais e treinadores sobre crianças demasiado novas. Em vez de perguntar pelos resultados, defende que os adultos devem interessar-se pelo que as crianças aprenderam.
A mensagem estende-se aos treinadores, que, na visão do dirigente, têm um papel fundamental no desenvolvimento integral das crianças. “Nós temos que perceber que nestes escalões estamos a formar homens e mulheres, e estamos a dotá-los daquilo que são capacidades motoras base”, afirmou Ricardo Felgueiras.
Diego de Pedro, pai de um dos jovens participantes na iniciativa, destacou a importância destes momentos num contexto em que as crianças passam cada vez mais tempo perante os ecrãs. “Eu acho que são muito importantes, porque não estão com tecnologias e jogam entre eles”, afirmou.
Para o pai, as atividades desportivas permitem às crianças aprender a partilhar, socializar e experimentar formas de aprendizagem diferentes das proporcionadas pelas tecnologias.
O futebol surge, neste caso, como uma alternativa natural. O pai da criança explicou que o filho gosta de jogar diariamente, embora não esteja integrado numa equipa: prefere ir para o parque e jogar à bola com outras crianças.
A importância de investir nas novas gerações foi também sublinhada pelo Bispo Diocesano de Viana do Castelo, D. João Lavrador, durante o JUBIGO, que ocorreu há algumas semanas. Durante a sua intervenção o Bispo destacou o papel da juventude nos processos de renovação das comunidades.
O prelado salientou, também, a importância da juventude na renovação das comunidades, defendendo que os jovens devem estar no centro dos processos de revitalização. “Na história da Igreja, os grandes momentos de revitalização, de renovação, de um novo incremento na Igreja e nas comunidades, foi feito a partir dos jovens”, afirmou.
A afirmação acaba por reforçar a mensagem deixada ao longo da iniciativa pela AFVC: criar condições para que crianças e jovens tenham espaço para brincar, praticar desporto, conviver e desenvolver capacidades, sem que o resultado seja o centro da experiência.
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