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“Parece que cada um teve de carregar e enterrar os seus próprios mortos”: A realidade relatada pelos venezuelanos do Alto Minho

Pouco passava das 18 horas do dia 24 de junho. O céu não dava sinais de tempestade e a rotina decorria com aparente normalidade quando, de forma repentina, a terra começou a tremer. Trinta e nove segundos depois, um novo abalo voltou a sacudir a Venezuela.

Notícias de Viana
31 Jul. 2026 5 mins

O epicentro localizou-se no estado de Yaracuy, no noroeste do país, com focos sísmicos em San Felipe e Yumare. O primeiro sismo atingiu magnitude 7,2, seguido de um segundo, ainda mais intenso, de 7,9 na escala de Richte, o maior evento sísmico registado na Venezuela no século XXI.

Um mês depois, o número de mortos ultrapassa os cinco mil e há mais de 50 mil desaparecidos, segundo estimativas das Nações Unidas. Entre as vítimas, contam-se 130 portugueses ou lusodescendentes, de acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Ao contrário do habitual, este não foi um sismo isolado. A ocorrência de dois abalos fortes, num curto intervalo de tempo e com epicentros próximos, configura aquilo que os sismólogos designam por “duplo sismo”. Um fenómeno raro, mas particularmente destrutivo.

Embora conhecida pelo clima tropical, a Venezuela está situada numa zona de elevada atividade sísmica, na fronteira entre a placa das Caraíbas e a placa Sul-Americana.

“O mundo parou”

Em Portugal eram 22h04 quando o pânico se instalava do outro lado do Atlântico. No Alto Minho, Elhiani só horas depois percebeu a dimensão da tragédia. “Foi através do meu irmão, que vive no Chile. Telefonou-me porque não conseguia contactar a nossa mãe. Inicialmente pensei que fosse apenas mais um corte de eletricidade. Só mais tarde, ao ver imagens nas redes sociais, percebi o que estava a acontecer”, recorda.

Natural da Venezuela, vive em Viana do Castelo há três anos. Quando se apercebeu da situação, “o mundo parou”. Durante horas tentou contactar a família, sem sucesso. Só no dia seguinte conseguiu falar com a mãe, que vive em Maracay, uma das zonas menos afetadas.

Também Guillermo, residente em Viana do Castelo, acompanhou a tragédia à distância. “Fiquei chocado. Além de tudo o que o homem já provoca, a natureza também trouxe este desastre, e quem paga é sempre o inocente”, lamenta.

Com grande parte da família ainda na Venezuela, descreve dias de incerteza. “Estão a viver este momento com muito nervosismo, tristeza e sem esperança.”

Ajuda limitada e resposta local

O Pe  Pablo Lima, pároco de Mujães e natural da Venezuela, soube dos sismos através da imprensa internacional e contactou de imediato amigos no país. “Muitos perderam as suas casas ou viram-nas gravemente danificadas. Há pessoas que ainda têm medo de entrar dentro de portas”, explica.

Nos primeiros momentos, os pedidos de ajuda centravam-se em alimentos, água e material médico. No entanto, a destruição do Aeroporto Internacional de Maiquetía dificultou a chegada rápida

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