A comunicação em tempo de crise, o impacto da inteligência artificial na educação e o papel das escolas católicas na formação de cidadãos capazes de viver numa sociedade plural marcaram as Jornadas Pedagógicas do Colégio do Minho. Ao longo de três dias, docentes e funcionários participaram num programa que procurou responder a alguns dos desafios mais atuais da educação, reunindo especialistas das áreas da comunicação, da pastoral e da reflexão eclesial.
A iniciativa, promovida anualmente pela direção da instituição, pretende “reforçar a formação contínua dos professores e fomentar uma maior articulação entre os diferentes ciclos de ensino”. “Queremos proporcionar mais formação ao pessoal docente”, explica o diretor do Colégio do Minho, Ricardo Sousa. O objetivo, acrescenta, passa por “construir uma escola em que haja mais coordenação e interligação entre os professores”, promovendo simultaneamente “a criação de um elo e a partilha de experiências” entre docentes.
A abertura das jornadas esteve a cargo de Pedro Gil, consultor de comunicação especializado em gestão de crise institucional.
A partir de exemplos concretos, entre eles situações semelhantes às vividas recentemente pelo Colégio do Minho durante o período dos Exames Nacionais, o especialista procurou responder a perguntas que, segundo defende, qualquer instituição deve antecipar: como comunicar uma crise, que precauções tomar e quem deve assumir a comunicação. “Quase todas as instituições passam momentos difíceis na sua vida”, afirmou, especificando: “Sobretudo aqueles em que têm um problema ou se julga que existe um problema, e a população e os meios de comunicação focam o seu interesse. Em pouco tempo, a instituição é colocada sob suspeita e vai ter de se justificar.”
A intervenção dividiu-se em quatro momentos distintos: a comunicação de crise, a identidade da escola católica, as relações interpessoais e a convivência com a inteligência artificial.
Para Pedro Gil, uma escola católica não pode limitar-se a transmitir valores úteis para a vida quotidiana. “Não se pode ensinar somente os valores úteis para a vida, mas dar a conhecer o próprio Deus”, defendeu.
No plano das relações humanas, destacou competências que considera essenciais para qualquer educador: saber ouvir, comunicar notícias difíceis, perdoar e acompanhar pessoas que passaram por situações traumáticas. Quanto à inteligência artificial, deixou uma ideia simples: a tecnologia “veio para ficar” e a escola terá de aprender a integrá-la de forma crítica e responsável.
Entre as conferências, esteve também a intervenção do Pe. Manuel Cardoso, sj, que desafiou os participantes a pensar a dimensão política das escolas católicas para além das ideologias ou dos partidos.
Sob o tema Educar para o Encontro: a Missão Política de uma Escola Católica, o sacerdote defendeu que a missão política da escola não consiste em ensinar ideias políticas, mas em formar cidadãos capazes de viver numa democracia. “O que tentei propor foi pensar que a missão política da escola pode não ser dizer ideias políticas ou ensinar conceitos, mas formar práticas que ajudem os alunos a serem cidadãos de uma comunidade democrática”, explicou no final da conferência.
Na sua perspetiva, o maior desafio passa por ensinar os alunos a conviver com quem pensa de forma diferente. “O pluralismo é um facto, não é um problema. É a partir daí que temos de correr”, afirmou.
Segundo o sacerdote, a crescente personalização dos conteúdos digitais está a reduzir a capacidade de diálogo e de encontr
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