Vila Nova de Cerveira obtém financiamento para travar expansão de planta invasora que ameaça o rio Minho

A Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira viu aprovada uma candidatura para estudar e gerir a expansão da planta aquática invasora Egeria densa no estuário do rio Minho, um fenómeno cuja dimensão local não está ainda totalmente quantificada pelas autoridades no terreno.

Micaela Barbosa
22 Jun. 2026 3 mins

O projeto, no valor total de 25.717,12 euros, é cofinanciado em 70% pelo Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos, das Pescas e da Aquicultura (FEAMPA), no âmbito do Programa Operacional MAR 2030.

Segundo o município, a iniciativa pretende “contribuir para a gestão sustentável da espécie” e “mitigar os seus impactos negativos”, através de três eixos principais: caracterização química da planta, mapeamento da sua distribuição no estuário e ações de sensibilização ambiental junto da população.

A Egeria densa é uma planta aquática originária da América do Sul, amplamente utilizada em aquariofilia, que se tornou invasora em vários ecossistemas de água doce e estuarinos na Europa.

No caso do rio Minho, estudos científicos indicam que a espécie está presente desde o início da década de 1990 e encontra-se hoje estabelecida no sistema estuarino.

Trabalhos académicos descrevem a formação de “tapetes densos” desta planta em áreas do estuário, com impacto na estrutura dos habitats submersos e na substituição parcial de vegetação aquática nativa.

Apesar da presença consolidada, a extensão exata da ocupação da espécie no rio Minho e a sua evolução recente variam entre estudos e dependem de condições sazonais como salinidade e caudais fluviais.

A literatura científica associa a Egeria densa a alterações no ecossistema aquático, nomeadamente através da formação de massas vegetais submersas que podem modificar a circulação da água e criar barreiras físicas à navegação em determinados troços fluviais.

Estudos realizados no estuário identificaram ainda comunidades associadas à planta, incluindo dezenas de espécies de invertebrados, algumas registadas pela primeira vez em Portugal, sugerindo que os seus efeitos ecológicos são complexos e não apenas negativos.

O investimento agora aprovado será aplicado sobretudo em investigação aplicada e ações de sensibilização ambiental.

Entre as metas estão a criação de um mapeamento atualizado da presença da espécie no estuário do Minho e a avaliação de potenciais utilizações da biomassa removida, uma abordagem cada vez mais utilizada na gestão de espécies invasoras.

O município sublinha ainda a importância da literacia ambiental para travar a introdução e dispersão de espécies exóticas, frequentemente associadas à libertação acidental a partir de aquários domésticos.

Tags Política

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