A Associação de Futebol de Viana do Castelo (AFVC) assinou um protocolo de cooperação com a Escola de Psicologia da Universidade do Minho e a Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa, para desenvolver um projeto de acompanhamento “longitudinal” de jovens atletas e árbitros, com foco na saúde mental, no rendimento desportivo e no bem-estar.
A iniciativa, com duração prevista de cinco anos e arranque já na próxima época, vai acompanhar atletas desde os 12 e os 13 anos até à transição para os escalões seniores, integrando avaliações psicológicas, físicas, técnicas e contextuais.
Entre os objetivos definidos no protocolo estão a monitorização de fatores mentais, relacionais e familiares associados ao rendimento e à permanência no desporto, a produção de conhecimento científico aplicado ao contexto desportivo e o desenvolvimento de recomendações práticas dirigidas a clubes, treinadores e famílias.
Na apresentação do protocolo, o presidente da Associação de Futebol de Viana do Castelo, Ricardo Felgueiras, defendeu que a aproximação entre ciência e desporto pode melhorar o processo formativo dos jovens atletas. “O que pretendemos é dotar os nossos atletas de todas as ferramentas possíveis, para os tornar melhores atletas e melhores pessoas”, afirmou.
O dirigente associativo explicou que a iniciativa surge da vontade de reforçar o acompanhamento realizado no futebol distrital e nas seleções da associação, envolvendo futebol masculino e feminino, futsal, walking football e outras atividades promovidas pela estrutura. “A junção do desporto com a ciência é sempre uma junção profícua e produtiva”, afirmou, acrescentando que o objetivo passa por “oferecer aos clubes e aos atletas as melhores ferramentas possíveis”.
Ricardo Felgueiras destacou, ainda, a importância do impacte humano do desporto nos jovens praticantes, independentemente do sucesso competitivo. “Não há melhor título do que alguém nos dizer que fomos importantes num determinado momento da vida do seu filho, enquanto adolescente ou criança”, afirmou, acrescentando: “Se conseguirmos juntar estas ferramentas para ajudar a que isso aconteça, melhor ainda.”
Do lado académico, o psicólogo e professor Rui Gomes considerou que o protocolo foi um dos acordos de colaboração “mais fáceis” de concretizar, devido à partilha de objetivos entre as instituições. “Rapidamente estávamos a falar a mesma linguagem, dentro do mesmo interesse”, afirmou.
O docente explicou que a iniciativa pretende atuar em duas dimensões principais: garantir que a experiência desportiva seja positiva para os jovens, e compreender o peso dos fatores mentais no acesso ao alto rendimento. “Há sempre dois fatores muito importantes no desporto: que esta experiência seja positiva e que os miúdos aprendam estilos de vida saudável, que ficam para toda a vida”, referiu.
Rui Gomes sublinhou, ainda, que o acompanhamento psicológico não se destina, apenas, a atletas de elite. “O fator mental é, também, um fator importante dentro do fenómeno desportivo”, afirmou, defendendo a integração da psicologia “de forma muito estreita”, junto das equipas técnicas e dos contextos de treino.
Já a psicóloga Catarina Morais destacou a importância de colocar o conhecimento científico “ao serviço da comunidade”, e de desenvolver intervenções úteis para o contexto desportivo. “Temos procurado desenvolver intervenções e políticas úteis para as comunidades, não apenas ao nível do rendimento desportivo, mas também do bem-estar”, afirmou.
A docente considerou, ainda, que a colaboração entre instituições académicas e estruturas desportivas permite “aliar o melhor dos dois mundos”, mostrando-se “entusiasmada” com o desenvolvimento do projeto no futebol distrital.
Além do acompanhamento dos atletas e árbitros, o protocolo prevê ações de formação, estágios e iniciativas de capacitação dirigidas a agentes desportivos e equipas técnicas ligadas aos clubes da associação.
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