A Câmara Municipal de Viana do Castelo realizou uma visita técnica às escavações arqueológicas em curso no espaço do futuro Mercado Municipal, no antigo Prédio Coutinho, onde prosseguem os trabalhos de identificação de vestígios históricos no subsolo.
A iniciativa acontece cerca de uma semana depois de o PSD local ter pedido esclarecimentos sobre alegados achados arqueológicos no local. A autarquia reiterou que o processo decorre dentro dos procedimentos normais em intervenções em áreas históricas e que está a ser assegurada a “preservação pelo registo” das estruturas encontradas.
O presidente da Câmara, Luís Nobre, afirmou que o município está a trabalhar “com todo o rigor técnico e científico”, sublinhando que a prioridade passa por documentar e registar os vestígios identificados. “Estamos a trabalhar com todo o profissionalismo, rigor técnico e científico, com o tempo e a tranquilidade necessárias para preservar o que encontramos através do registo”, afirmou, acrescentando que a informação recolhida será posteriormente compilada.
Luís Nobre reiterou ainda que a intervenção não coloca em causa a construção do novo mercado, embora reconheça a necessidade de compatibilizar a obra com a preservação do património identificado. Segundo o presidente, as “funções mais nobres” do antigo Convento de São Bento, a igreja e os claustros, estão preservadas e deverão ser valorizadas. “Vamos trabalhar para lhes dar mais dignidade e visibilidade”, disse, referindo a intenção de avançar com a classificação destes elementos como Monumento de Interesse Público.
Durante a visita, o chefe de Arqueologia, Miguel Costa, explicou que as escavações já abrangeram cerca de 1.000 metros quadrados e revelaram estruturas associadas a diferentes fases de ocupação do espaço, incluindo áreas de dormitórios, enfermarias e zonas funcionais do antigo convento, fundado no século XVI. “Temos várias fases de ocupação sobrepostas. O objetivo é a preservação e a memória através do registo dos vestígios existentes”, afirmou, referindo que os trabalhos vão continuar e deverão estender-se a áreas adjacentes.
Segundo o arqueólogo, a intervenção também identificou vestígios do antigo mercado do século XIX, construído após a demolição parcial das estruturas conventuais no final desse século.
As escavações decorrem no âmbito das sondagens arqueológicas obrigatórias antes do início da construção do novo Mercado Municipal, uma obra estimada em cerca de 13,3 milhões de euros e adjudicada à empresa Arlo S.A..
O projeto mantém-se inalterado, segundo a autarquia, prevendo a construção de um edifício com dois pisos, 56 bancas, 28 espaços comerciais e 91 lugares de estacionamento em cave, além de áreas destinadas a serviços e usos culturais.
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