Há tantas razões para se escrever. Tanta coisa que gostávamos de dizer, mas não podemos, não temos a certeza da forma como aconteceram, não conseguimos provar.
Coisas que nos incomodam, nos emocionam, nos desgastam, nos envelhecem.
Coisas que não podemos remediar, coisas que talvez pudéssemos remediar se nos esforçássemos, se tivéssemos coragem, coisas irremediáveis.
Coisas impossíveis por absurdas, por estranhas, por incompreensíveis.
Situações de desigualdade. Desigualdade social, económica, de género. Desigualdade de oportunidades. Desigualdade para chegar a uma solução. Desigualdade para superar o problema.
Desigualdade no acolhimento dos imigrantes que vêm para nos servir, a precisar de ajuda, e aqueles que recebemos de braços abertos por terem um visto gold e se servem de nós, mesmo que venham do Bangladesh.
Situações de pobreza, extrema, em muitos casos. Pobreza económica, mas também pobreza de espírito, de tacanhez.
Situações de chico espertismo, de salve-se quem puder, de ultrapassar tudo e todos, com a “cunhinha”.
Coisas sobre a guerra, sobre quem tem o poder para a fazer ou desfazer, sem se preocupar com os outros que vão sofrer, o que vão destruir.
Coisas bonitas, boas, que não podem ser usufruídas pela maioria.
Acesso à saúde para todos da mesma forma, sem demoras, sem poupanças.
Acesso a um emprego decente, com um ordenado compatível, um horário que não explora, um bom ambiente de trabalho.
Acesso à cultura – um livro (já há bastantes bibliotecas municipais e escolares que emprestam) – um filme (sem pipocas, bebidas, entradas e saídas a mais) – um concerto, uma exposição.
Acesso a uma educação realmente grátis, séria, sem rankings que comparam o incomparável.
Acesso a transportes rápidos, eficazes e confortáveis.
Cumprimento de horários, de promessas, de contratos, sem desculpas, sem subterfúgios.
Direito a uma informação isenta, diversificada, eficiente, não politizada.
Direito a políticos que pensem no país, na população e, muito no fim, na sua carreira.
Direito a não precisar de deixar o país por razões económicas.
Direito a ser respeitado apesar da cor, da religião, do género.
Direito à diferença.
Direito à utopia!
Direito a poder escrever, como posso neste momento, em Liberdade, com um bonito pôr do sol. Algures…
SUGESTÕES
Ler – Do palito à perdiz sobre a mesa muito se diz: curiosidades da gastronomia portuguesa, Paulo Moreiras
Ouvir – O que fazer quando tudo arde, Podcast de Ana Sá Lopes
**(Escrito de acordo com a ortografia antiga)
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